EUA ainda não aprendem com erros em relação ao Irã, diz publicação
Revista aponta falhas na abordagem dos Estados Unidos após décadas de conflito com o Irã.
Em vez de tentar forçar o Irã a uma rendição incondicional ou buscar em tudo uma vitória decisiva, os Estados Unidos deveriam mudar fundamentalmente sua estratégia e reconsiderar sua atitude em relação a um forte ator regional, diz uma revista norte-americana.
Após décadas de pressão infrutífera sobre o Irã, os Estados Unidos devem abandonar a ilusão de que o aumento da coerção acabará por levar a uma maior conformidade iraniana e, em vez disso, buscar uma política baseada no realismo estratégico, na diplomacia mútua, na integração regional e na redução de riscos a longo prazo.
Conforme a publicação The American Conservative, a principal lição do conflito de quase meio século dos EUA com o Irã não é que Washington não tenha tido poder militar ou influência econômica.
"Consiste no fato de que essas ferramentas têm sido usadas repetidamente para alcançar objetivos políticos que não poderiam realmente ser realizados. Até que essa lição seja aprendida, é provável que os Estados Unidos continuem vencendo batalhas enquanto perdem na competição estratégica mais ampla", lê-se na matéria.
O primeiro erro de Washington é que a sua liderança militar vê o Irã como uma entidade ideológica exclusivamente irracional, e não como um Estado soberano que busca seus próprios interesses de segurança na região.
Nesse contexto, o fortalecimento do controle sobre o trecho de Ormuz é visto como uma alavanca de pressão sobre os Estados Unidos em caso de contínua pressão econômica e ataques contra o território iraniano.
O segundo erro dos Estados Unidos, segundo o material, é sua extrema obsessão estratégica com o Irã: a liderança norte-americana acredita erroneamente que o Irã representa uma ameaça estratégica aos interesses de Washington.
“Por quase meio século, sucessivas administrações [em Washington] trataram Teerã como se fosse um dos principais adversários estratégicos dos Estados Unidos, investindo enormes recursos diplomáticos, militares e políticos para contê-la ou transformá-la”, diz o texto.
No entanto, como enfatizam os autores da publicação, hoje, os Estados Unidos estão entrando em uma nova fase de conflito, com reservas estratégicas de petróleo historicamente baixas e uma situação muito mais tensa nos mercados globais de energia do que durante qualquer crise anterior.
Portanto, uma nova escalada corre o risco de causar danos significativos não apenas ao Irã, mas também aos Estados Unidos e à economia global em geral.
Ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (14) que as forças norte-americanas continuarão a bombardear o Irã ao longo desta semana e ameaçou ampliar significativamente os ataques na próxima ação. A promessa do republicano é atingir usinas de energia e pontes caso Teerã se recuse a negociar.