POLÍTICA

MDIC se reúne com USTR sobre tarifas aos produtos brasileiros

Reunião de alto nível discute possíveis taxas que os EUA podem impor ao Brasil.

Por Estadao Conteudo Publicado em 14/07/2026 às 21:55
Reprodução / Agência Brasil

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) comunicou nesta terça-feira, 14, que foi realizada, no final da tarde de hoje, a quinta reunião de alto nível com o Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, para tratar das tarifas que podem ser aplicadas pelo governo americano contra produtos brasileiros. O prazo para os EUA decidirem se aplicam ou não as taxas é até esta quarta-feira, 15.

"Na reunião de hoje, foi reiterado o caráter injusto da aplicação das recomendações já divulgadas, seja a resultante da Seção 301 específica para o Brasil, de sobretaxas de 25%, seja a de 12,5% (Seção 301 - trabalho forçado) aplicável a outras 59 economias", informou a pasta.

As autoridades dos dois países vêm se reunindo desde 7 de maio, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump decidiram estabelecer um grupo de trabalho dedicado ao diálogo comercial. Além do MDIC, participaram da agenda desta terça-feira as equipes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial do Presidente da República.

"Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas", prosseguiu o MDIC. "Cumprindo a orientação do presidente Lula, reiterou-se que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado."

No início de junho, o USTR divulgou a recomendação de sobretaxas a produtos brasileiros com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. Os EUA acusam o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico - como o Pix -, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.

O prazo para decisão final e anúncio da medida terminará nesta quarta-feira, 15 de julho. Também é esperada a definição a lista de bens expostos à recomendação, que já conta com aeronaves, produtos agropecuários e insumos industriais.