ECONOMIA

Ibovespa avança após dados favoráveis da inflação nos EUA

Índice registra alta de 0,51%, superando 176 mil pontos com foco em ações e preço do petróleo.

Por Estadao Conteudo Publicado em 14/07/2026 às 17:53
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O Ibovespa percorreu a sessão em alta, com um avanço mais firme pela manhã desta terça-feira, 14, embora tenha perdido um pouco de fôlego no decorrer da tarde, em decorrência da maior volatilidade nos preços do petróleo. No entanto, o índice conseguiu retomar o nível de 176 mil pontos. O sinal positivo foi novamente impulsionado pelo cenário externo, com alívio nas expectativas de alta de juros nos Estados Unidos e melhora na percepção de risco geopolítico.

O avanço mais significativo aconteceu na primeira etapa, quando o índice atingiu os 177 mil pontos, influenciado pela inflação americana que ficou abaixo do esperado pelos analistas. O índice de inflação ao consumidor (CPI, em inglês) caiu 0,4% em junho, insuficiente para atender ao consenso que era de -0,1%. O núcleo do índice também surpreendeu, apresentando estabilidade, contrariamente à mediana das estimativas, que previa uma alta de 0,2%. Os números esfriaram as apostas de um aperto monetário pelo Federal Reserve em setembro.

Economistas do Bradesco destacaram que, além do número total, a composição do índice também foi favorável. "Junho é o sinal mais limpo desde o início do processo desinflacionário - amplitude, tendência central e habitação na mesma direção ao mesmo tempo, pela primeira vez", afirmaram os profissionais, acrescentando que, dependendo do índice de preços de gastos com consumo (PCE, em inglês), o CPI satisfaz "a condição que Waller havia articulado para reabrir o debate sobre cortes". "Para o Fed, o número deve trazer alívio no curto prazo e deixar o BC em modo de espera", enfatizaram. Ontem, Christopher Waller, diretor do Fed, havia alertado que poderia ser necessário aumentar os juros caso o núcleo do CPI desta semana fosse elevado.

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, declarou que "missão cumprida" não é sua visão após o CPI ter vindo abaixo do esperado, afirmando que ainda há muito a ser feito para que "tudo esteja bem". Ele reiterou ainda que está "redobrando" o compromisso com a meta de 2%.

"O grande tema do dia é a inflação americana", resumiu Matheus Spiess, economista da Empiricus. "Por mais que ainda tenhamos novos episódios de escalada no Oriente Médio, que trazem consigo pressão sobre os preços de energia e sobre a curva de juros, o contexto é minimamente mais promissor", analisou.

Enquanto o CPI garantiu o sinal de alta para a Bolsa, o ritmo foi, em boa parte, ditado pelo desempenho das ações da Petrobras. O petróleo Brent, referência para a Petrobras, subiu 1,72%, indo a US$ 84,73 no contrato para setembro. As ações da Petrobras ON encerraram com baixa de 0,50%, enquanto as PN ficaram estáveis. Nas demais blue chips, o setor financeiro teve desempenho misto, com Itaú Unibanco PN em alta de 0,25% e Bradesco PN em baixa de 0,75%. A Vale se recuperou do recuo anterior e fechou com alta de 1,59%, impulsionada pelo avanço do minério de ferro.

Para Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, a Bolsa brasileira tende a se beneficiar se a ideia de que o Fed não vai elevar juros no curto prazo for consolidada. "Nesse caso, o investidor institucional deve voltar a se posicionar em bolsas de mercados emergentes como a nossa, que também é forte em commodities. Esse fluxo está um pouco travado por causa do Trump", explicou.

O Ibovespa encerrou o dia com uma alta de 0,51%, atingindo 176.641,10 pontos, entre a máxima de 177.179 (+0,82%) e a mínima de 175.743 (estável). O volume financeiro foi de R$ 21,8 bilhões. Em julho, o índice registra alta de 2,68%, e em 2026 avança 9,63%.