CULTURA

Bahamas Hotel Club encerra atividades após 30 anos de polêmicas

Fechamento da famosa casa noturna, que era um ícone da vida noturna paulistana, foi confirmado pela família de Oscar Maroni.

Por Estadao Conteudo Publicado em 14/07/2026 às 14:28
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Após mais de três décadas de funcionamento e de muitas polêmicas, a casa noturna Bahamas Hotel Club fechou as portas no bairro de Moema, na zona sul de São Paulo. O fechamento foi confirmado pela família do empresário Oscar Maroni , fundador das Bahamas, que morreu em dezembro do ano passado, aos 74 anos.

Os motivos não foram informados. A reportagem entrou em contato com a família de Maroni e aguarda retorno.

A casa era conhecida por oferecer atrações ao público adulto e conviver com polêmicas e processos judiciais ao longo dos anos. Em seu site, o Bahamas se apresentou como uma "casa tradicional da noite paulistana" que "personifica o luxo" e "uma busca contínua pelo prazer" com "requinte e discrição".

Um tour virtual destacou as suítes exclusivas, com serviços de hotelaria, bar e gastronomia, com cartas de vinhos e de charutos, "o convite perfeito para que casais liberais, homens e mulheres gostem do maior centro de entretenimento para adultos da América Latina". Uma cascata enfeitava o salão principal.

A publicidade explícita levou o empresário, conhecido como "Rei da Noite", a ser investigado e processado por favorecimento à prostituição. Maroni ficou preso entre agosto e outubro de 2007, chegou a ser condenado em instância, mas foi absolvido das acusações pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) .

Em outro episódio, Maroni e o então prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) tiveram um conflito envolvendo o Oscars Hotel, de propriedade do empresário. O prédio de onze andares fica localizado perto da cabeceira do Aeroporto de Congonhas , próximo ao clube Bahamas.

Após o acidente com um avião da TAM em 2007, Kassab cassou o alvará do hotel, alegando que a proximidade da edificação poderia representar risco às aeronaves e à segurança do aeroporto. Por causa disso, entre 2007 e 2013, a casa noturna ficou fechada, alegando falta de algumas coisas para funcionar. Maroni conseguiu na Justiça a reabertura da casa.

Conhecido pela fama das Bahamas, o empresário tentou entrar na política. Em 2008, ele foi candidato a vereador de São Paulo pelo PTB e, em 2018, foi candidato a deputado federal pelo PROS . Nas duas graças não conseguiram votos suficientes para se eleger.

Em 2021, durante a pandemia de covid-19, o hotel voltou a ser interditado durante uma operação que encontrou bolsas de pessoas em uma festa clandestina, sem máscaras e distanciamento que eram obrigatórios na época. Maroni assinou um acordo com o Ministério Público para encerrar o processo.

Nos anos seguintes, a casa deixou de aparecer com tanta frequência nas redes sociais. A última postagem do Bahamas Club em sua página no Instagram, em 22 de fevereiro de 2021, comemorou a vitória de Bruno Covas na prefeitura de São Paulo: "Covas ganhou as eleições e os clientes Bahamas ganham a primeira cerveja grátis!".

Morte do

Em 2024, a família revelou que o empresário tinha Alzheimer e estava em uma casa de repouso. Ele morreu no dia 31 de dezembro de 2025, aos 74 anos. Na data, os filhos publicaram nota dizendo que, em sua homenagem, o Bahamas continuaria aberto "sempre na busca contínua pelo prazer".

Com a morte do fundador, as Bahamas passaram por um processo de reestruturação comandado pelos filhos e herdeiros de Maroni, Aratã e Aruã . Outro irmão, Acauã , entrou na gestão da casa e a irmã deles, Aritana , preferiu manter seus próprios negócios.