ECONOMIA

Tarifas dos EUA podem prejudicar competitividade do Brasil, alerta Fiemg

Federação mineira destaca que novas medidas tarifárias podem abrir espaço para concorrentes internacionais.

Por Estadao Conteudo Publicado em 14/07/2026 às 14:02
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

As novas tarifas em estudo pelo governo dos Estados Unidos ameaçam reduzir a competitividade dos produtos brasileiros e abrir espaço para que importadores substituam fornecedores nacionais por concorrentes internacionais, disponível na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Segundo a entidade mineira, a diferença tarifária pode comprometer a posição do Brasil como fornecedor de materiais-primas e insumos para a indústria americana. Com custos mais elevados, os exportadores brasileiros podem perder espaço para concorrentes, sofrer pressão por redução de preços e renegociar contratos e condições comerciais.

A soma da tarifa de 25% , fruto da aplicação da lei da Seção 301 (políticas comerciais), e 12,5% (suposta falha contra o trabalho forçado) pode gerar cobrança adicional de 37,5% , no caso dos produtos propostos pelas duas medidas em análise.

A decisão do Escritório da Representação Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sobre uma eventual imposição de tarifas contra o Brasil será anunciada até esta quarta-feira, 15 de julho .

"A preocupação não é apenas no tamanho da tarifa, mas na diferença de tratamento entre países que disputam os mesmos compradores. Essa desvantagem pode influenciar diretamente a decisão dos importadores e comprometer contratos em mercados estratégicos", analisa a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fiemg, Verônica Ribeiro Winter .

Levantamento do Centro Internacional de Negócios da FIEMG mostra que a maior exposição está em materiais-primas, insumos agroindustriais, produtos de madeira e determinados bens industriais. A ferro-gusa está entre os produtos brasileiros mais exposta a possíveis novas tarifas, porque pode ser alcançada simultaneamente pelas duas medidas em discussão.

O produto brasileiro disputa o mercado dos Estados Unidos com fornecedores da Ucrânia, Índia, Canadá, África do Sul e Indonésia. Esses países, no entanto, podem receber tratamentos tarifários diferentes. O ferro-gusa ucraniano, por exemplo, poderia chegar ao mercado americano com uma vantagem tarifária de até 37,5 pontos percentuais em relação ao produto brasileiro.

O sebo e os produtos de madeira também estão entre os itens expostos, já que seus principais concorrentes podem superar tarifas inferiores às aplicadas ao Brasil, ampliando a vantagem competitiva desses fornecedores.

Segundo Verônica, o impacto das tarifas deverá variar de acordo com a disponibilidade de fornecedores alternativos, o grau de diferenciação dos produtos e a relação comercial construída entre exportadores e importadores.

Diante da aproximação da decisão americana, a Fiemg defende a intensificação das negociações entre Brasil e Estados Unidos, a ampliação da lista de questões e a definição de regras claras sobre a aplicação das tarifas.