MPF acusa policiais rodoviários pela morte de adolescente no Rio
Denúncia envolve a morte de Lorenzo Dias Palhinhas durante operação no Complexo do Chapadão em 2022.
Dois policiais rodoviários federais foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por uma operação que descobriu a morte de Lorenzo Dias Palhinhas, de 14 anos, em uma favela da zona norte do Rio de Janeiro. A ação policial ocorreu no Complexo do Chapadão, em outubro de 2022.
Eles estão sendo denunciados por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado. De acordo com a denúncia do MPF, Lorenzo e outro adolescente, que trabalhavam como entregadores de uma lanchonete da região, retornaram do trabalho em uma motocicleta quando foram inicialmente envolvidos por policiais, revistados e liberados.
Depois da abordagem, ao trafegarem por uma viagem, eles foram alvo de disparos feitos pelos policiais rodoviários federais.
O MPF sustenta que não houve nova ordem de parada nem confronto armado no momento. Ainda segundo a denúncia, os adolescentes foram desarmados, seguiram de costas para os agentes e transitaram por uma passagem estreita, sem possibilidade de fuga ou de proteção.
Lorenzo morreu com um tiro na parte de trás da cabeça, enquanto o outro adolescente conseguiu escapar. Segundo o MPF, policiais rodoviários que participaram da ação afirmaram que os dois denunciados fizeram disparos. O exame de balística concluiu que o fragmento encontrado não era localmente compatível com as armas usadas por eles.
Operação
A ação policial, em outubro de 2022, foi realizada horas depois do assassinato do policial rodoviário federal Bruno Vanzan Nunes, vítima de um roubo seguido de morte. Vinte agentes foram até o Chapadão em busca de suspeitos do crime.
Mas, segundo o procurador da República Eduardo Benones, a ação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi feita sem ordem formal de missão, briefing ou relatório operacional, além de ter extrapolado as atribuições constitucionais da PRF.
Por meio de nota, a PRF informou que há investigação interna aberta para apurar a conduta e a responsabilidade dos policiais rodoviários federais envolvidos na operação conjunta.
A PRF acrescentou que pediu cópia da investigação do MPF e aguarda o compartilhamento das informações para continuar com suas apurações internas.