ECONOMIA

FGV aponta que 69,1% dos trabalhadores pagaram contas essenciais no 2º trimestre

Dados da Sondagem do Mercado de Trabalho da FGV mostram avanço na capacidade de pagamento das famílias.

Por Estadao Conteudo Publicado em 14/07/2026 às 09:24
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Uma parcela de 69,1% dos trabalhadores conseguiu pagar suas contas essenciais nos últimos três meses - no trimestre encerrado em junho - com a renda auferida no período, avanço de 2,6 pontos porcentuais (pp) ante o mesmo período de 2025 , de acordo com a Sondagem do Mercado de Trabalho, divulgada na manhã desta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas ( Ibre FGV ).

Entre as três maiores despesas que mais impactaram os orçamentos das famílias, a alimentação se manteve como o item mais relatado, com 75% dos entrevistados. Em seguida, as duas opções mais citadas foram contas de serviços públicos ( 50,3% ) e aluguel ou financiamento de moradia ( 45,6% ).

Em comparação com o mesmo período do ano anterior, a maior diferença foi o impacto do transporte, que representou 2,0% e passou a ser 27,6% das pessoas reportando como um dos três itens que mais pesam no orçamento.

“Os resultados de junho mostram que a evolução do mercado de trabalho, especialmente com melhoria na renda, permite que boa parte das pessoas consiga pagar suas contas básicas. Por outro lado, a quarta queda consecutiva nesse indicador parece estar relacionada à desaceleração do mercado de trabalho”, disse o economista Rodolpho Tobler , do Ibre. O indicador de renda suficiente, que foi de 69,1% em junho, atingiu 72,4% em fevereiro e, desde então, vem recuando. Foi de 70,3% em maio.

“Entre os itens que mais pesam, as contas de serviços públicos e a custódia de transporte foram os que mais subiram na composição do orçamento das famílias, sendo o último muito relacionado com o aumento do preço dos combustíveis”, explicou o economista.

Olhando para frente, afirmou Tobler, é esperado que o ritmo menos intenso do mercado de trabalho não permita uma reversão dessa tendência recente, mas o indicador ainda deve se manter em um patamar positivo, dado que a desaceleração deve ser gradual.

A sondagem mostrou ainda estabilidade dos indicadores de satisfação, com ligeira retração: o índice de muito satisfeitos foi de 12,5% em junho ante 12,6% em maio; os satisfeitos saíram de 64,1% em maio para 64% em junho; os neutros eram 16% em maio e 16,1% em junho. Os insatisfeitos eram 6,9% em maio e os muito insatisfeitos eram 0,4% , e ambos os índices se mantiveram iguais.

A proporção de pessoas que enxergam a renda atual do trabalho como suficiente para arcar com despesas essenciais caiu de 70,3% em maio para 69,1% em junho, enquanto o índice dos que dizem que não é suficiente foi de 27,9% em maio para 30,9% em junho.