JUSTIÇA

Quatro réus são denunciados por morte em salto de rope jump em Limeira

Denúncia do MP-SP resulta em réus por homicídio e fraude processual após falha em evento.

Por Estadao Conteudo Publicado em 14/07/2026 às 09:13
Reprodução

Os quatro acusados ​​pela morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas , de 21 anos, em um salto de corda sem cordas, na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), viraram réus pelo crime na tarde desta segunda-feira, 13, após a Justiça receber uma denúncia do Ministério Público de São Paulo ( MP-SP ). O processo tramita em segredo de justiça.

O Estadão apurou que a organizadora do evento de salto à corda, Evelyne dos Santos Gonçalves , de 43 anos, responsável pela Entre Cordas (empresa sem registro), se tornou ré por homicídio com dolo eventual - quando não há intenção, mas se assume o risco de matar -, qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Evelyne também responde pelo crime de fraude processual por tentar eliminar prova relevante para a investigação. Procurada pela reportagem, a defesa dela informou que irá analisar a obtenção da denúncia antes de se manifestar. Quando foi denunciada, a defesa disse que demonstraria a inocência dela.

Além da organizadora, os três instrutores que aparecem no vídeo lançando Maria Eduarda sem cordas, Luis Felipe Feliciano Egoroff , de 32 anos, Maicon Fernandes Cintra , de 42 anos, e Vitor de Freitas Gonçalves , de 27 anos, viraram réus por homicídio com dolo eventual, atualizados por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A reportagem tenta contato com as defesas.

Os três instrutores foram presos em flagrante pela morte do jovem e depois tiveram as prisões convertidas em preventiva, ou seja, por tempo indeterminado, ainda durante a fase de inquérito policial. Nesta segunda-feira, a Justiça também converteu em preventiva a prisão de Evelyne.

A investigação em relação aos suspeitos que não chegaram a ser indiciados pela Polícia Civil foi arquivada.

O que diz a

A morte de Maria Eduarda aconteceu no dia 13 de junho e foi registrada em vídeo. Segundo a denúncia, os acusados ​​promoveram saltos de corda para cerca de 80 a 100 pessoas por dia de evento sem que houvesse estrutura formal de gerenciamento de riscos e sem observar protocolos básicos de segurança.

Os promotores sustentam que os responsáveis ​​pela execução do salto tinham pleno conhecimento dos riscos da atividade, mas deixaram de adotar precauções cautelares, como a conferência da conexão da corda de segurança e a realização da dupla verificação dos equipamentos.

Maria Eduarda foi submetida à modalidade conhecida como "aviãozinho", na qual os instrutores erguem a praticante e projetam a estrutura. Para o MP, os acusados ​​lançaram um jovem sem que a corda de segurança estivesse conectada ao seu peitoral, fazendo com que ela caísse de cerca de 40 metros de altura e morresse em decorrência de politraumatismo.

A denúncia também aponta que o grupo de salto à corda funcionava sem definição clara de funções, explorava comercialmente a atividade sem atender às exigências legais e priorizava interesses econômicos e a divulgação de saltos nas redes sociais em detrimento da segurança dos participantes. Conforme a acusação, Evelyne deixou de interromper a mesma atividade após ter ocorrido uma falha operacional semelhante anteriormente.

"A inobservância técnica somava-se à irregularidade formal da própria atividade. Os denunciados exploravam comercialmente o salto à corda sem inscrição no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) do Ministério do Turismo , sem contratação de seguro de responsabilidade civil e sem a elaboração de termos de conhecimento, de responsabilidade e de ciência de risco a serem firmados pelos participantes, exigência já vigente à época dos fatos", sustentam os promotores.

Sumiço de câmera

A investigação da Polícia Civil, dividida em dois inquéritos, não conseguiu localizar a câmera Go Pro, que estava ligada ao braço da vítima, nem determinar quem retirou o equipamento de Maria Eduarda. Mesmo assim, a organizadora do evento foi denunciada por determinar a localização do equipamento e a exclusão do conteúdo, com o objetivo de dificultar a elucidação dos fatos.

De acordo com o inquérito, uma testemunha afirmou que Evelyne “mencionou expressamente” a necessidade de apagar o vídeo do salto da jovem. O relatório final da Polícia Civil revelou que pelo menos três testemunhas afirmaram que um homem retirou a câmara da vítima. Porém, ninguém conseguiu reconhecê-lo. Duas testemunhas disseram que se tratava de um homem de cabelo escuro e que usava uniforme da equipe responsável pela atividade.

O desaparecimento da câmera ainda é investigado pela polícia, que aguarda a perícia em celulares apreendidos.