ARQUEOLOGIA

Descoberto pingente lunar com antiga função protetora na Rússia

Peça foi encontrada no sítio arqueológico Olginsky‑10 e tem ligação com amuletos femininos de milênios atrás.

Por Sputnik Brasil Publicado em 12/07/2026 às 08:23
Pingente lunar descoberto em Pskov apresenta tradição de proteção contra infortúnios. © Foto / gigagil

Arqueólogos encontraram no oeste da Rússia um pingente em forma de cuja tradição crescente remete a amuletos usados ​​para proteção contra doenças e infortúnios. A peça, descoberta no site Olginsky‑10, integra uma linhagem de lunitsas que atravessou milênios, misturando joalheria, crença e simbolismo lunar em diferentes culturas.

Arqueólogos encontraram em Pskov, na Rússia, próximo à fronteira com a Estônia, um pingente em forma de crescente cuja função, na tradição antiga, ia além da estética: objetos desse tipo eram usados ​​junto ao corpo como proteção contra doenças, infortúnios e forças invisíveis.

A peça foi descoberta no sítio arqueológico Olginsky‑10, ampliando o conjunto de lunitsas já identificadas na região.

O Centro Arqueológico local ainda não determinou o metal dos artefatos, que será analisado após a temporada de campo. Mesmo sem essa informação, seu formato o conecta a uma tradição milenar que atravessa continentes, religiões e estilos de joalheria, mantendo-se presente em adornos femininos por milhares de anos.

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As lunitsas, pingentes em forma de lua crescente, surgiram já na Idade do Bronze e se espalharam pela Europa, Ásia e África. Podiam ser feitos de metais simples ou de prata trabalhada, usados ​​em colares, cocares ou brincos, sempre carregando simbolismos ligados ao tempo, à fertilidade, à proteção e ao mundo noturno.

A peça de Pskov tem argola de suspensão e corpo largo decorado com pequenos raios circulares, indicando que era exibido à vista, não escondido sob as roupas. Para sua dona, poderia funcionar como joia, amuleto ou ambos, uma combinação comum em sociedades antigas e medievais.

O crescente, porém, nunca teve significado fixo. Embora as lunitsas tenham se tornado comuns entre os escravos entre os séculos X e XIII, seu uso não deriva de um culto pagoo único, mas de influências bizantinas que introduziram novos estilos de joalheria na região.

No século X, as lunitsas eram populares na antiga Rus, coexistindo com a cristianização. Em sepulturas e colares, aparecem ao lado de cruzes e ícones devocionais, mostrando que as mulheres combinavam símbolos diferentes sem conflito entre opinião e tradição. O crescente poderia ser reinterpretado, herdado ou simplesmente apreciado como proteção.

Com o tempo, esses pingentes se tornaram menos frequentes, mas o motivo lunar persistiu em joias russas até o século XIX e início do XX, mesmo quando seu significado original já havia se perdido.

Análises futuras poderão revelar sua origem e datação, mas o sentido exato que teve para quem o usou permaneceu desconhecido.