POLÍTICA

Ex-prefeito de Belford Roxo é solto após prisão com fuzil

Decisão do ministro Alexandre de Moraes ocorrerá após a prisão em flagrante na operação da Polícia Federal.

Por Agência Brasil Publicado em 11/07/2026 às 12:27
Ministro Alexandre de Moraes determina a soltura do ex-prefeito Márcio Canella.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), preso em flagrante durante uma operação da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro. A decisão foi emitida na noite de sexta-feira (10), e a saída do político do sistema prisional está prevista para este sábado (11).

Canella foi detido desde terça-feira (7), após agentes encontrarem uma fuzil calibre 556 no veículo em que ele estava durante o cumprimento de um mandato de busca e apreensão da sexta fase da Operação Unha e Carne.

Além do ex-prefeito, um policial militar preso na mesma ocorrência também foi beneficiado pela decisão.

Medidas cautelares

Ao substituir a prisão preventiva por medidas cautelares, Moraes determinou que Canella utilize tornozeleira eletrônica, entregue o passaporte e tenha a porta de arma suspensa. O ex-prefeito responderá ao processo em liberdade.

Na decisão, o ministro destacou que a alegação da defesa de que o fuzil pertence ao policial responsável pela segurança de Canella ainda deverá ser esclarecida no decorrer das investigações.

Em nota, a defesa afirmou que a prisão “não se sustentava”, sustentando que a arma era registrada em nome da segurança do político e que a documentação foi apresentada ao STF.

não é Unha e Carne

A prisão ocorreu durante a sexta fase da Operação Unha e Carne , que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro.

Segundo a Polícia Federal, a organização investigada teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. As investigações realizadas logo após um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sugeriram movimentações financeiras consideradas atípicas.

Nesta etapa da operação, a PF cumpriu 19 mandatos de busca e apreensão em municípios da Região Metropolitana do Rio e no interior do estado. Também foram apreendidos armas, joias, dinheiro em espécie e veículos de luxo, além de determinado o bloqueio de bens e a suspensão das atividades de empresas ligadas aos investigados.

Canella foi alvo apenas de um mandato de busca e apreensão, mas acabou preso em flagrante após a localização do armamento.

Investigação

De acordo com a Polícia Federal, Canella é investigado por suspeita de atuar como um dos elos políticos do esquema investigado. Os investigados poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e outros crimes que venham a ser identificados ao longo das apurações.

A operação faz parte das medidas determinadas pelo STF no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas, que atribuiu à Polícia Federal a condução de investigações sobre possíveis vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas.

Trajetória política

Márcio Canella iniciou a carreira política como vereador de Belford Roxo, em 2012, e posteriormente exerceu três mandatos como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Entre 2017 e 2019, licenciou-se do mandato para ocupar a carga do vice-prefeito do município.

Ele foi eleito prefeito de Belford Roxo em 2024, mas renunciou ao cargo em abril deste ano para disputar uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro.