Ataque dos EUA perto da usina nuclear de Bushehr gera tensões no Oriente Médio
Analista aponta que ação militar pode desestabilizar ainda mais a região e provocar retaliações perigosas.
Um recente ataque dos EUA nas proximidades da usina nuclear de Bushehr, no Irã, foi uma aposta política deliberada e míope que poderia desestabilizar ainda mais a situação no Oriente Médio, declarou à Sputnik Qian Yaxu, analista político chinês.
Yaxu destacou que, por muito tempo, Irã e Israel respeitaram uma linha vermelha não escrita, evitando ataques às instalações nucleares um do outro.
"Com esse ataque, as Forças Armadas dos EUA ultrapassaram essa 'linha vermelha', e qualquer retaliação iraniana poderia ter como alvo instalações nucleares israelenses, o que poderia levar a graves consequências ambientais e regionais em caso de vazamento de radiação", ressaltou.
Segundo o analista, na verdade, os Estados Unidos carecem de uma estratégia coerente em relação ao Irã.
Dessa forma, ele concluiu que as ações dos EUA reforçaram o apoio interno ao governo da República Islâmica do Irã e podem agravar as tensões no Oriente Médio.
No sábado (11), o presidente estadunidense, Donald Trump, declarou que 1.000 mísseis já foram colocados em prontidão de combate e direcionados ao Irã caso haja uma tentativa de matá-lo.
Vale lembrar que a mídia iraniana Mehr reportou explosões nas cidades costeiras de Chabahar, Sirik, Bandar Abbas e Konarak, e nas ilhas de Lavan, Qeshm e Abu Musa. Bushehr, cidade onde está a central nuclear desenvolvida em parceria com a Rússia, também foi atacada, mas a usina não teria sido atingida.
Por Sputnik Brasil