Reunião internacional liderada por Rubio foca no combate à extrema-esquerda
Ministros de mais de 60 países, incluindo o Brasil, são convidados para discutir a ameaça do terrorismo transnacional.
O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, convidou ministros de alto escalão de mais de 60 países para participar de um encontro focado no combate ao movimento Antifa, informou o The Washington Post, citando documentos e autoridades ocidentais.
Espera-se que a reunião, agendada para ocorrer em 16 de julho no Departamento de Estado, discuta o "ressurgimento do terrorismo transnacional de extrema-esquerda", que a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considera uma ameaça significativa, segundo a reportagem. A maioria dos países europeus, grandes nações latino-americanas e vários países asiáticos — incluindo Índia, Indonésia e Cingapura — teriam sido convidados.
De acordo com o portal g1, o Brasil estaria entre os Estados da América do Sul convidados a partir do encontro. A informação foi confirmada tanto com o Ministério das Relações Exteriores brasileiro quanto com o Departamento de Estado.
Embora um "documento conceitual" descreva o evento como uma reunião ministerial sobre o "ressurgimento do terrorismo político" — prevendo o reforço da colaboração no compartilhamento de inteligência e na aplicação da lei —, ele também afirma que o encontro abordará principalmente "terroristas de extrema-esquerda" que estão "cada vez mais recorrendo à violência organizada e letal para promover seus objetivos políticos", relatou o The Washington Post, citando o documento.
O evento teria gerado preocupações entre alguns aliados europeus, bem como entre analistas independentes, que não veem a possível ameaça da mesma maneira. Algumas autoridades dos EUA expressaram receio de que a iniciativa pudesse fazer parte de um esforço mais amplo para aplicar medidas antiterrorismo contra ativistas domésticos considerados extremistas de esquerda.
Uma autoridade da administração Trump disse ao The Washington Post que alguns funcionários dos EUA decidiram não participar do encontro, enquanto representantes de vários países estrangeiros descreveram os objetivos do convite como pouco claros e apontaram o curto prazo para a notificação.
O convite teria sido enviado na semana passada, com solicitação de resposta até esta última sexta-feira (10). Várias autoridades afirmaram que era improvável que seus ministros das Relações Exteriores ou do Interior comparecessem, devido às agendas diplomáticas já lotadas durante o verão, enquanto outras expressaram dúvidas sobre os motivos do convite, alegando que o terrorismo de esquerda não é uma ameaça de alta prioridade para elas.
No final de maio, o Departamento de Estado organizou uma reunião em Haia, nos Países Baixos, sobre o Antifa e o terrorismo de esquerda, reunindo autoridades de segurança pública e antiterrorismo, principalmente de países europeus, disseram ao The Washington Post duas pessoas familiarizadas com o encontro. Uma das fontes acrescentou que o governo holandês recusou-se a coorganizar o evento, levando à sua realização na Embaixada dos EUA em Haia.