DEFESA

Brasil precisa de controle civil das Forças Armadas antes de se armar, dizem analistas

Discussões sobre a Defesa Nacional no governo Lula destacam a necessidade de estratégias efetivas.

Por Sputnik Brasil Publicado em 10/07/2026 às 21:32
Analistas debatem a defesa nacional e controle civil das Forças Armadas no Brasil. © telegram SputnikBrasil

Em meio ao aumento das tensões internacionais, especialistas discutem se a inclusão da Defesa Nacional no programa de governo será acompanhada de uma estratégia de longo prazo ou se repetirá problemas históricos. "Está cheio de maluco no mundo." Essa foi a justificativa do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ao afirmar que a defesa nacional será tema prioritário em seu programa de governo, algo inédito para o petista.

Para a Sputnik Brasil, o professor de geopolítica e relações internacionais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Charles Pennaforte diz que a principal deficiência das Forças Armadas brasileiras está na falta de investimentos para modernizar equipamentos e ampliar sua capacidade operacional diante de um cenário internacional mais instável. "As Forças Armadas estão aí para defender o território e a soberania. Agora, o fato é que uma força armada sem capacidade de atuação não equivale a nada."

Em contraste, para André Kaysal, doutor e professor associado de ciência política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), transformar essa diretriz em uma política de Estado exigiria um esforço que vai muito além da vontade do Executivo. "Antes de aumentar os recursos, é preciso discutir qual deve ser o papel das Forças Armadas no Brasil, como esses investimentos serão planejados e quais capacidades estratégicas o país pretende desenvolver."

Kaysal pontua que sem planejamento, definição de prioridades e coordenação entre os Poderes, a ampliação do orçamento corre o risco de não produzir ganhos efetivos para a capacidade de defesa do país. Ainda afirma que a fragmentação orçamentária e o protagonismo das emendas parlamentares reduzem a capacidade do Executivo de implementar projetos estratégicos de longo prazo.