SAÚDE

El Niño traz aumento no risco de doenças no Brasil

Organização Pan-Americana da Saúde alerta para os impactos da variabilidade climática na saúde pública.

Por Estadao Conteudo Publicado em 10/07/2026 às 19:08
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial OpenAI (GPT Image)

As variações climáticas extremas provocadas pelo El Niño, entre secas severas, chuvas intensas e temperaturas acima da média, podem desencadear mais casos de doenças infecciosas como dengue, zika, chikungunya, malária, febre amarela e oropuche em regiões afetadas do Brasil, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), ligada às Nações Unidas.

Além disso, há previsão de mais internações por problemas respiratórios e cardiovasculares, especialmente entre crianças e idosos, provocadas pela fumaça de incêndios florestais, sobretudo na Amazônia e Pantanal.

O relatório divulgado na terça-feira, 7, indica que o País corre risco médio de uma crise de saúde pública em 2026 devido a esses impactos. O índice se baseia em condições estruturais e vulnerabilidades da população e dos serviços de saúde. Essa classificação é compartilhada por outros países latino-americanos, como Argentina, Bolívia e Peru.

Nas Américas, há um risco muito alto relacionado às arboviroses (doenças causadas por vírus transmitidas pela picada de mosquitos), que se tornam altamente prováveis e podem ter grandes consequências para a saúde pública. É quase certo que o estresse térmico esteja entre os principais impactos sobre a população.

O calor extremo é a maior causa de mortalidade relacionada ao clima, afetando principalmente grupos vulneráveis: pessoas com doenças preexistentes, idosos, bebês, gestantes e trabalhadores ao ar livre.

Outra preocupação são as doenças transmitidas pela água, como cólera e leptospirose, que aumentam com o maior volume de chuvas e enchentes; além do risco de desnutrição devido à perda de safras causada por inundações e secas; e surtos de sarampo, caso eventos extremos resultem em aglomerações de populações suscetíveis.

Os cenários de seca ou excesso de chuvas podem também impactar a saúde mental de quem enfrenta perdas materiais, deslocamentos e falta de recursos básicos.

Impactos na infraestrutura e recomendações

O relatório também destaca que as secas, chuvas intensas e inundações, tornadas mais prováveis pelo El Niño neste ano e no próximo, podem danificar ou interromper os serviços de saúde essenciais, limitando o acesso à assistência médica durante e após a emergência climática.

Nos anos de 1997-98, um dos eventos mais fortes de El Niño já registrados, chuvas intensas no Peru e Equador causaram danos consideráveis na infraestrutura de saúde. Impactos semelhantes podem ocorrer em áreas vulneráveis, como o Sul do Brasil.

Leia abaixo as principais recomendações da Opas:

- Reforçar a vigilância epidemiológica e as campanhas de vacinação para conter surtos de doenças infecciosas favorecidas pelas anomalias climáticas;

- Priorizar a detecção precoce de riscos e pacientes com doenças crônicas;

- Considerar alternativas como telemedicina, equipes móveis e a distribuição descentralizada de medicamentos para assegurar que tratamentos vitais não sejam interrompidos por desastres climáticos;

- Hospitais e unidades de saúde devem revisar seus planos de contingência, focando em proteger equipamentos críticos e garantir o fornecimento de água e energia durante eventos extremos;

- Fortalecer sistemas de alerta precoce para ondas de calor e a preparação específica para os impactos respiratórios resultantes de incêndios florestais.