INVESTIGAÇÃO

Thiago Miranda é alvo de operação da PF em casos envolvendo influenciadores e o Banco Master

Publicitário é suspeito de intermediar ações contra o Banco Central e de ligação com Daniel Vorcaro.

Por Estadao Conteudo Publicado em 10/07/2026 às 11:26
© Foto / Divulgação / Polícia Federal

O publicitário Thiago Miranda , ex-sócio de Leo Dias e proprietário de uma agência sob suspeita de contratar influenciadores para atacar o Banco Central e realizar ações contra jornalistas, foi alvo de uma operação da Polícia Federal na quinta-feira, dia 9.

A investigação da PF aponta Miranda como intermediário entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro , e a ação dos influenciadores contra o BC após a liquidação do banco. A defesa do publicitário nega qualquer ilegalidade.

Miranda foi responsável por apresentar o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Vorcaro no final de 2024 e na intermediação de pagamentos do banqueiro a um fundo nos Estados Unidos, que seria usado para patrocínio de um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro .

Diálogos obtidos pela PF e revelados em maio pelo site Intercept Brasil , confirmados pelo Estadão , indicaram que o publicitário teria marcado encontros entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, além de fazer cobranças ao banqueiro por pagamentos atrasados. Esses diálogos foram travados sob a posse da PF por meio do celular apreendido de Vorcaro.

Segundo fontes próximas a Miranda, ele já mantinha relação amistosa com Flávio Bolsonaro há tempos, tendo conhecido Vorcaro mais recentemente através de um empresário de Minas Gerais durante as negociações para venda de participação no portal de Léo Dias, do qual Miranda era sócio.

O que diz a defesa de Thiago Miranda

Em nota divulgada pelo advogado Rafael Martins , a defesa de Thiago Miranda afirmou categoricamente que ele não participou de nenhuma ilegalidade. A nota destaca: "Acerca dos fatos amplamente divulgados no dia de hoje, a defesa de Thiago Miranda vem a refutar público, de forma categórica, a prática de qualquer ilegalidade por seu constituinte. Thiago Miranda sempre pautou sua atuação profissional pela legalidade, pela transparência e pelo respeito às instituições e pelo livre exercício da liberdade de expressão, não tendo praticado qualquer ato criminoso, tampouco participado de conduta criada a intimidar, coagir, estranhar ou violar direitos de terceiros."

A defesa sublinha ainda que a existência de uma investigação em curso não deve ser considerada como uma justiça antecipada de culpa, e que deve ser rigorosamente preservada como garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e da presunção de inocência. Miranda se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com a apuração dos fatos, garantindo a regularidade de sua conduta. "Por fim, a defesa acompanhará atentamente todos os atos do procedimento e tomará as medidas jurídicas cabíveis para garantir que os fatos sejam apurados com equilíbrio, técnica e respeito às garantias legais, afastando assim instruções precipitadas ou interpretações incompatíveis com a realidade."