Oficina articula comunidades e instituições na construção de propostas para enfrentar a desertificação
Atividade contou com a participação técnica da Sudene, além de pesquisadores e representantes de povos indígenas e quilombolas para subsidiar políticas públicas e uma pesquisa internacional sobre o tema
Campina Grande (PB) – O conhecimento acumulado por comunidades tradicionais do Semiárido sobre a convivência com a seca e os efeitos da desertificação esteve no centro da Oficina de Coprodução do Conhecimento para o Fortalecimento da Política de Combate à Desertificação, realizada em Campina Grande (PB), que contou com participação da Sudene. Organizado pelo Observatório da Caatinga e Desertificação (OCA/UFCG/INSA) e pela Universidade de Bristol, da Inglaterra, o encontro reuniu pesquisadores, representantes de instituições públicas e representantes destes grupos sociais para discutir propostas que possam fortalecer políticas públicas voltadas ao enfrentamento da desertificação. Iniciadas no último dia 6, as atividades foram concluídas nesta quinta (9).
A programação apresentou os resultados de um diagnóstico participativo realizado em comunidades quilombolas e indígenas do Semiárido pernambucano e promoveu a construção conjunta de propostas para enfrentar os desafios socioambientais da região. O trabalho envolveu a comunidade quilombola de Conceição das Crioulas, em Salgueiro (PE), e os povos indígenas Atikum e Pankará, que vivem, respectivamente, nas serras do Arapuá e do Umã, em Carnaubeira da Penha, também no interior pernambucano.
O coordenador de Desenvolvimento Territorial, Infraestrutura e Meio Ambiente da Sudene, Victor Uchoa, explicou que o evento buscou incorporar a experiência das comunidades à elaboração de políticas públicas. "Os relatos mostram como essas populações enfrentam desafios relacionados ao acesso à água, ao saneamento, à convivência com a Caatinga e à participação nos processos de formulação de políticas públicas", detalhou.
As discussões identificaram desafios de natureza ambiental, econômica e institucional. Entre alguns dos temas apontados pelas comunidades estão a conservação de espécies nativas e dos conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade, o fortalecimento das organizações comunitárias, a regularização dos territórios, o apoio à agricultura tradicional, a educação ambiental e a promoção da segurança alimentar.
Além de contribuir para o aprimoramento de políticas públicas voltadas ao combate à desertificação e à convivência com o Semiárido, o material produzido na oficina servirá de base para a pesquisa internacional “Envolvimento de atores sociais na cocriação de soluções para combater a desertificação na região semiárida brasileira ( tradução livre de “Engagement of Social Actors in the Co-creation of Solutions to Combat Desertification in the Brazilian Semi-arid Region”), desenvolvida pela universidade britânica, no Reino Unido. Os resultados do estudo deverão ser apresentados em agosto de 2026 durante a COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), na Mongólia, cujo tema será "Restaurando a Terra. Restaurando a Esperança”.