ECONOMIA

Queda do dólar é impulsionada por sinalizações do Fed e alta no petróleo

Expectativas de inflação e greve nas contratações pesam no mercado interno, enquanto o Oriente Médio ainda preocupa.

Por Estadao Conteudo Publicado em 09/07/2026 às 10:06
Dólar

O dólar à vista acompanha, nos primeiros negócios desta quinta-feira, 9, a queda global da moeda americana e dos rendimentos curtos dos Tesouros, após ata do Federal Reserve indicar na visão dos analistas uma postura menos dura do que a sinalizada na reunião de junho.

O ambiente externo também é beneficiado pela melhora do apetite por risco depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã busca um acordo.

Mas o petróleo firmou-se em nível alto e as taxas longas dos títulos americanos avançaram.

No mercado doméstico, a subida da commodity é benigna para o fluxo e o real, enquanto sinais de desaceleração da inflação reforçam expectativa pelo IPCA de junho, que será divulgado nesta sexta (10). A entrevista do ministro da Fazenda, Dario Durigan, também é acompanhada.

À Rádio Gaúcha, Durigan disse que a MP de renegociação de dívidas rurais está em fase final, com cerca de R$ 100 bilhões em operações e custo anual de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões ao Tesouro. O ministro também afirmou que é preciso cautela na retirada do subsídio dos combustíveis com uma nova alta no petróleo e que gostaria de retirar parte das medidas para gasolina na próxima semana.

No corporativo, as empresas brasileiras reduziram as expectativas de crescimento e ficaram mais cautelosas com contratações, diante da demanda fraca, juros altos, inflação e incertezas econômicas e políticas. Segundo a S&P Global, o otimismo com produção, emprego e lucratividade caiu ao menor nível desde 2020, com destaque para a piora no setor de serviços.

Já no campo da inflação, o IGP-M caiu 0,39% na primeira prévia de julho, após alta de 0,21% na mesma leitura de junho.

No exterior, a ata da reunião de junho do Banco Central Europeu (BCE) mostrou que os dirigentes começaram preocupados com os riscos inflacionários decorrentes do conflito no Oriente Médio, avaliando que uma eventual interrupção da navegação no Estreito de Ormuz reforçaria a perspectiva de preços elevados do petróleo e prolongaria as pressões sobre a inflação da zona do euro.

Os dirigentes europeus avaliaram que a inflação da zona do euro pode permanecer acima da meta de 2% até o primeiro semestre de 2027 e não descartaram novos acordos monetários.

No Irã, o vice-governador de Bushehr para Assuntos Políticos, de Segurança e Sociais, Ehsan Jahanian, afirmou que os ataques americanos atingiram pontos da província iraniana, incluindo a área próxima à usina nuclear de Bushehr, acusando os EUA de violarem o cessar-fogo.