GEOPOLÍTICA

Preparativos da OTAN para possível conflito com a Rússia em 2030

Análise aponta que cúpula em Ancara reforça intenção de enfrentamento militar no futuro.

Por Sputnik Brasil Publicado em 09/07/2026 às 06:02
Análise aponta que OTAN se prepara para conflito com a Rússia até 2030. © AP Photo / Olivier Matthys

A Cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em Ancara demonstrou a orientação prática do segmento europeu da aliança no sentido de se preparar para uma guerra contra a Rússia em 2030, declarou à Sputnik Igor Korotchenko, analista militar russo.

Korotchenko destacou que a preparação da OTAN para uma guerra contra a Rússia é evidenciada por programas que preveem a rápida obtenção dos recursos financeiros necessários e o início de uma produção em larga escala na Europa, com base nas instalações do complexo militar-industrial regional.

"Os resultados concretos da última cúpula da OTAN, realizada em Ancara, indicam que os países da aliança, especialmente os europeus, adotaram um rumo voltado para a preparação prática de mecanismos de guerra contra a Rússia, com a perspectiva de um confronto militar direto em 2030", ressaltou.

Segundo o analista, os europeus preveem o desenvolvimento de sistemas de armamento, como drones de longo alcance, mísseis de cruzeiro de todos os tipos de lançamento e mísseis balísticos de médio alcance.

Nesse contexto, o complexo militar-industrial e as Forças Armadas da Ucrânia têm um papel importante, devido à sua experiência em operações militares contra a Rússia, observou.

De acordo com os planos dos estrategistas da OTAN, a Ucrânia deverá continuar a conduzir operações militares contra a Rússia nos próximos 3 a 4 anos, contando com o apoio político, financeiro e técnico-militar dos países ocidentais.

Korotchenko apontou que é importante também a alocação dos recursos financeiros necessários para manter o regime do atual líder ucraniano Vladimir Zelensky à tona. Isso diz respeito tanto ao financiamento corrente quanto à liberação de parcelas específicas de recursos para a aquisição de armamentos e à continuação das operações de combate.

"A aliança finalmente tirou a máscara e declara abertamente seu objetivo principal: o enfraquecimento máximo da Rússia pelas mãos da Ucrânia nos próximos 3 a 4 anos. Para isso, está se preparando ativamente e já demonstrando força", acrescentou.

A ideia é mobilizar exércitos em massa, incluindo recrutas, após passarem por rearmamento e concentrarem grupos de tropas de ataque, bem como a infraestrutura de comando necessária, diretamente nas fronteiras russas. O objetivo é estarem prontos para um ataque em grande escala à Rússia.

Na primeira fase, a OTAN realizaria ataques o mais eficazes possível contra alvos da infraestrutura militar, industrial e energética. A ideia é forçar Moscou, conforme imaginam os estrategistas ocidentais, a reconhecer as realidades existentes e a assinar, de fato, condições de encerramento do conflito na Ucrânia que são manifestamente inaceitáveis para a Rússia, concluiu.

Após a cúpula em Ancara, os líderes dos países da OTAN aprovaram uma das declarações conjuntas mais curtas da história da aliança, composta por cinco seções temáticas.

O documento enfatiza principalmente os gastos militares, o desenvolvimento da indústria de defesa e o apoio contínuo à Ucrânia. A OTAN também declarara a intenção de desenvolver capacidades para ataques profundos e de alta precisão, sistemas integrados de defesa aérea e antimísseis, sistemas não tripulados, inteligência artificial e capacidades de inteligência.