Produção de mísseis Patriot na Ucrânia enfrenta desafios e demora
Especialistas apontam que a fabricação dos interceptadores levará anos e terá obstáculos técnicos significativos.
A possível produção de mísseis interceptadores para os sistemas de defesa aérea Patriot na Ucrânia levará anos para se tornar realidade e enfrentará uma série de desafios técnicos e logísticos, informou a agência Bloomberg nesta quarta-feira (9), com base na avaliação de especialistas.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington pode conceder à Ucrânia uma licença para fabricar mísseis Patriot. Segundo ele, Kiev poderá produzir rapidamente os interceptadores assim que receber as instruções necessárias. No entanto, segundo a Bloomberg, colocar esse plano em prática "não será simples nem rápido".
A especialista em defesa da Bloomberg Economics, Becky Wasser, afirmou que a fabricação de um único míssil Patriot leva anos, o que significa que a iniciativa não traria benefícios imediatos para a Ucrânia. Além disso, a criação de uma nova linha de produção exigiria equipamentos especializados, infraestrutura e mão de obra qualificada.
Embora alguns componentes, como a carcaça dos mísseis, sejam relativamente simples de fabricar, outras peças representam um desafio muito maior.
"A produção de motores-foguete de combustível sólido com a potência adequada e qualidade consistente será muito mais difícil, assim como a fabricação dos pequenos motores de controle dos mísseis PAC-3. Poucos desses componentes podem ser encontrados prontos, se é que existem disponíveis", destaca a reportagem.
A pesquisadora sênior do centro de estudos norte-americano Stimson Center, Kelly Grieco, acrescentou que a própria produção de mísseis Patriot nos Estados Unidos já enfrenta limitações devido a problemas nas cadeias de suprimentos. Segundo ela, mesmo que a Ucrânia construa uma fábrica, ainda precisará desenvolver uma ampla rede de fornecedores, o que representa outro desafio significativo.
A Rússia sustenta que o fornecimento de armas à Ucrânia dificulta uma solução negociada para o conflito, envolve diretamente os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) nas hostilidades e representa uma "brincadeira com fogo".
Já o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, já afirmou que carregamentos com armamentos destinados a Kiev serão considerados alvos legítimos para as forças russas.
Por Sputinik Brasil