POLÍTICA

Caiado e Zema comentam caso do Banco Master em evento

Ex-governadores reafirmam compromisso com a ética e a transparência na política durante encontro em Brasília.

Por Sputnik Brasil Publicado em 08/07/2026 às 14:42
Caiado e Zema discutem ética e corrupção em evento da CNC em Brasília. © flickr.com / Cristiano Eduardo

Presidentes da direita participaram de evento na CNC em Brasília nesta quarta-feira.

O caso envolvendo o Banco Master entrou no centro do debate entre os pré-candidatos da direita à Presidência da República durante a apresentação da “Agenda dos Presidenciáveis ​​2026”, promovida nesta quarta-feira (8) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em Brasília (DF).

Em seus discursos, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), negaram qualquer relação com o episódio e aproveitaram o tema para fortalecer seus discursos de combate à corrupção e defesa da ética na administração pública.

Caiado afirmou que sua trajetória política não possui qualquer vínculo com práticas ilícitas e fez questão de afastar seu nome das investigações envolvendo o Banco Master. O ex-governador de Goiás afirmou que sua atuação na vida pública sempre foi pautada pela transparência e disse que pretende levar esse histórico para a disputa presidencial de 2026.

Romeu Zema também utilizou o tema para destacar o que considera ser uma diferença entre sua gestão em Minas Gerais e práticas adotadas por outros governos. O ex-governador afirmou que, durante seu mandato, nunca cedeu a pressão de grupos econômicos ou corporativos e ressaltou que nenhuma irregularidade foi encontrada em sua administração. "Muitos presidentes cederam a pressão corporativa, eu não. Não foi encontrado nada", afirmou.

Ao comentar o caso Master, Zema voltou a direcionar ataques ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master atualmente preso. O pré-candidato afirmou que, embora Vorcaro seja de Minas Gerais, jamais manteve qualquer contato com ele. "O banqueiro bandido mora lá, mas nunca me encontrei com ele, e ele jamais pediu uma audiência a mim. Assombração sabe para quem aparecer", declarou.

O ex-governador mineiro também retomou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao ministro Gilmar Mendes. Zema afirmou que respondeu a um processo movido pelo magistrado e voltou a mencionar que o ministro teria viajado em comunicação ligada a Daniel Vorcaro. Em tom crítico, declarou que “outro país do mundo teria expulsado esses ministros há muito tempo”, intensificando os ataques que já haviam sido feitos anteriormente ao Judiciário.

Ambos também aproveitaram o encontro para apresentar suas propostas para o país. Caiado defendeu uma agenda voltada para o fortalecimento da competitividade brasileira, afirmou que o Brasil precisa avançar na regulamentação da inteligência artificial e na exploração dos minerais críticos e criticou o que chamou de perda de protagonismo internacional do país. Também voltou a atacar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, classificando sua gestão como marcada pelo “populismo irresponsável”, e criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmando que sua postura diante da nova tarifaço dos Estados Unidos foi “inaceitável”.

Caiado também deu um recado claro aos empresários presentes no evento: “Se vocês, empresários, votem no Flávio Bolsonaro, votando elegendo o Lula”.

Já Zema voltou a defender uma plataforma baseada em três eixos que chamou de "choques": moral e ético, de contenção dos gastos públicos e de fortalecimento da segurança pública. O ex-governador também criticou os juros elevados, o sistema tributário brasileiro, a política externa do governo Lula e defendeu maior aproximação do Brasil com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo ele, o país precisa recuperar internacionalmente e criar um ambiente mais favorável aos investimentos privados.

“O Brasil está distante do Ocidente, e somos um país ocidental, cristão”, disse Zema, ao criticar os ataques do presidente Lula ao sistema dólar. "A tarifaço tem muito a ver com as posições do governo de se aproximar com Cuba, Irã e Venezuela. Precisamos estar inseridos no mundo todo", acrescentou.