SAÚDE

Estudo mostra que atividades entre crianças e idosos reduzem sintomas de ansiedade em unidades de saúde

Por iMF Press Global Publicado em 08/07/2026 às 09:50
Arte/Câmara dos Deputados

Colocar crianças, adultos e idosos para conviver e trocar experiências dentro de unidades básicas de saúde pode ser uma estratégia eficaz para reduzir sintomas de ansiedade, segundo um novo estudo brasileiro. A pesquisa foi publicada pela revista Qualis A Open Minds, propriedade do CPAH, o Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, sob gestão técnica da Editora Atena.

O trabalho reúne uma equipe de onze pesquisadores, entre eles Dalma Régia Monteiro Silva, Lucas Martins Monteiro, Lucas Guimarães Marinho, Marisa Pereira Monteiro, Larissa Rebeca Siqueira Araújo, Raynara Dias Marques, Ana Cristina Cruz Aguiar Câmara, Marilda Monteiro Silva, Mayara Pereira Lima Paiva, Emiliana Cruz Aguiar e Barbara Taise Barbosa Cunha.

Ansiedade é um dos transtornos mais comuns do mundo

A ansiedade está entre os transtornos mentais mais prevalentes globalmente, com impacto direto na qualidade de vida, no funcionamento social e na capacidade produtiva das pessoas. Segundo os autores, mesmo com protocolos clínicos já estabelecidos na Atenção Primária à Saúde, estratégias que promovem interação social e fortalecimento de vínculos comunitários podem potencializar os efeitos do cuidado tradicional.

Foi nesse contexto que os pesquisadores decidiram investigar a intergeracionalidade, entendida como a interação estruturada entre pessoas de diferentes faixas etárias, como uma possível estratégia complementar de cuidado dentro das unidades de saúde.

Como o estudo foi conduzido

A pesquisa teve caráter exploratório, combinando métodos quantitativos e qualitativos. Participaram de forma voluntária 65 pessoas de diferentes idades, distribuídas da seguinte forma:

● 15 crianças, entre 6 e 12 anos

● 12 adolescentes, entre 13 e 17 anos

● 20 adultos, entre 18 e 59 anos

● 18 idosos, com 60 anos ou mais

Antes e depois das atividades, os participantes responderam à escala GAD-7, um instrumento amplamente utilizado para medir sintomas de ansiedade generalizada. Também foram realizadas entrevistas semiestruturadas e observação participante durante as atividades, que incluíram dinâmicas em grupo, troca de experiências, leitura coletiva e rodas de conversa sobre estratégias para lidar com a ansiedade.

Redução de mais de 30% nos sintomas de ansiedade

Segundo os resultados, houve uma redução média de 34,2% nos escores da escala GAD-7 após as atividades intergeracionais, considerando todos os grupos etários avaliados. A melhora mais expressiva ocorreu entre crianças, com queda de 40,4%, e entre idosos, com redução de 38,5%. Adolescentes e adultos também apresentaram melhora, embora em menor intensidade.

Os pesquisadores associam esse resultado ao contato entre diferentes gerações combinado a atividades participativas, que teria funcionado como fator de proteção contra sintomas de ansiedade.

O que os participantes relataram sentir

A análise qualitativa das entrevistas identificou quatro categorias centrais nos relatos dos participantes:

● Interação social positiva, com engajamento em dinâmicas de grupo e troca de experiências.

● Desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como empatia, cooperação e resiliência.

● Fortalecimento de vínculos comunitários, com maior senso de pertencimento.

● Aprendizado mútuo, com troca de conhecimentos entre gerações diferentes.

Um dos relatos citados no estudo resume bem essa percepção: participantes descreveram terem gostado de conversar com os idosos e aprender com suas histórias, ao mesmo tempo em que se sentiram parte de algo importante para o grupo como um todo.

Profissionais de saúde envolvidos no estudo também relataram maior adesão às orientações clínicas e participação mais ativa dos usuários nas atividades da unidade após o programa.

Limitações reconhecidas pelos próprios autores

Os pesquisadores fazem questão de destacar as limitações do trabalho. A amostra foi pequena e restrita a unidades específicas de Atenção Primária à Saúde, e o período de acompanhamento foi curto, o que impede avaliar os efeitos a longo prazo da intervenção. A heterogeneidade dos grupos etários também pode ter influenciado a resposta às atividades propostas.

Por isso, os autores recomendam que estudos futuros ampliem a amostra, utilizem período de acompanhamento mais longo e testem a intervenção em diferentes contextos, de modo a confirmar a sustentabilidade dos resultados observados.

O que os pesquisadores concluem

Segundo os autores, a intergeracionalidade se mostrou uma estratégia inovadora e eficaz de cuidado complementar na Atenção Primária à Saúde, capaz de reduzir sintomas de ansiedade, fortalecer vínculos sociais e desenvolver habilidades socioemocionais em participantes de diferentes idades. O estudo sugere que esse tipo de prática pode representar um caminho promissor de inovação para a saúde pública, ao integrar ações educativas, comunitárias e terapêuticas dentro do cuidado tradicional.

Este texto tem caráter informativo e baseia se em um estudo científico exploratório. Ele não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizados por um médico ou psicólogo. Pessoas que sentem sintomas persistentes de ansiedade devem procurar acompanhamento com um profissional de saúde mental.