Rússia reafirma disposição ao diálogo com Europa
Peskov calcula que Macron deve finalmente contatar Putin após múltiplas promessas.
A Rússia continua aberta ao diálogo com os países europeus e pretende utilizar todos os meios de comunicação disponíveis para apresentar sua posição sobre as principais questões internacionais, afirmou nesta terça-feira (7) o porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov.
Em entrevista à publicação suíça Die Weltwoche, Peskov declarou que Moscou permanece disposta a dialogar e voltou a cobrar um contato do presidente da França, Emmanuel Macron, com o presidente russo, Vladimir Putin.
"Continuaremos abertos ao diálogo e esperando que, depois de dizer mil vezes que ligaria para Vladimir Putin, o presidente Macron finalmente pegue o telefone e faça a ligação, em vez de repetir que ligará em uma semana, em um mês ou em um ano. Seremos muito pacientes e aguardaremos que isso aconteça", afirmou.
Segundo o porta-voz, atualmente não há negociações reservadas entre Moscou e Macron nem com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz.
Peskov acrescentou que a Rússia continuará a recorrer à imprensa e às tecnologias modernas de comunicação para explicar seu ponto de vista à comunidade internacional.
Postura hostil com Moscou
Ao comentar o atual relacionamento entre Moscou e a Europa, o porta-voz afirmou que a postura hostil adotada por diversos governos do continente decorre tanto de interesses políticos internos quanto de fatores históricos.
"A Rússia é grande demais para que a Europa possa ignorá-la. A Europa prefere dedicar atenção excessiva à Rússia e considera muito conveniente criar a imagem de uma ameaça russa", afirmou.
Segundo Peskov, muitos líderes europeus recorrem ao discurso de que a Rússia representa o "principal inimigo" para justificar o aumento dos gastos militares e mobilizar apoio político interno.
"Há também tradições históricas. A história se repete. Trata-se, em certa medida, de uma tentativa de revanche por parte de algumas forças na Europa", declarou.
O porta-voz também acusou governos europeus de ignorarem, segundo ele, iniciativas das autoridades ucranianas de glorificar figuras ligadas ao nazismo responsáveis pela morte de centenas de milhares de pessoas durante a Segunda Guerra Mundial.