CONFLITO

Tensão no Golfo Aumenta Após Ataques a Navios Durante Luto por Khamenei

Ataques a navios revelam fragilidade da segurança marítima na região, enquanto Irã nega negociações com os EUA.

Por Sputnik Brasil Publicado em 07/07/2026 às 12:01
Ataques a navios no Golfo levam a um aumento da tensão durante luto por Khamenei. © AP Photo / Amirhosein Khorgooi/ISNA

Atingidos no estreito de Ormuz durante o luto pela morte de Ali Khamenei, um navio da GNL do Catar e um petroleiro saudita reacenderam a tensão no golfe.

Dois navios foram atingidos no estreito de Ormuz na madrugada desta terça-feira (7), elevando a tensão no golfe. O Irã afirmou que não retomará negociações de paz enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, continuar ameaçando reiniciar a guerra, suportando o clima diplomático em meio ao luto nacional pela morte de Ali Khamenei.

As cerimônias fúnebres do ex-líder supremo iraniano mobilizaram multidões em Teerã e Qom, com participantes prometendo vingança e exibindo cartazes contra Trump. A demonstração de força reforçou o controle da liderança religiosa sobre o país durante o período de instabilidade regional.

O navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL) Al Rekayyat, do Catar, foi atingido por um drone e sofreu incêndio em casa de máquinas, levando à evacuação da tripulação. O Catar classificou o ataque como "inaceitável" e culpou o Irã, enquanto autoridades norte-americanas indicaram que os disparos foram realizados por um partido treinado de forças iranianas.

Outro navio, o petroleiro saudita Wedyan, também foi atingido na costa de Omã, embora a causa ainda não tenha sido confirmada. Os dois incidentes foram os primeiros desde o início do luto no país persa, reforçando que a segurança marítima permanece frágil apesar do acordo provisório firmado no mês passado.

De acordo com apuração da mídia britânica, os armadores enfrentam um dilema: navegar pelas águas controladas pelo Irã, considerando mais seguras, implicaria considerar a autoridade de Teerã sobre o estreito; já o canal patrulhado pelos EUA e Omã continua vulnerável a ataques. O Irã, por sua vez, busca instalar um sistema permanente de cobrança de taxas na rota energética mais importante do mundo.

O cortejo de Khamenei em Qom simbolizou as declarações do poder iraniano, enquanto o país mantém postura nas negociações para dar fim à guerra iniciada pelos EUA e Israel.

A guerra está suspensa por um acordo provisório de 60 dias, mas a rodada mais recente de conversas no Catar terminou sem avanços.

Trump voltou a ameaçar retomar os bombardeios, afirmando que os EUA "farão um acordo ou terminarão o serviço". O chanceler iraniano Abbas Araqchi respondeu que as negociações definitivas não começarão enquanto as ameaças persistirem, cobrando que Washington "honre sua assinatura".

Em paralelo, Israel confirmou que a próxima rodada de negociações com o Líbano ocorrerá em Roma, buscando avançar no pacto firmado no mês passado com apoio dos EUA.