ESPORTES

Ministro do Esporte cita Kazan como modelo para a UFEsporte no Brasil

Paulo Henrique Cordeiro apresenta plano para a nova universidade e discute o legado da Copa do Mundo feminina.

Por Sputnik Brasil Publicado em 07/07/2026 às 10:47
Ministro do Esporte menciona Kazan como exemplo para universidade esportiva no Brasil. © Divulgação

Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, concedida na última sexta-feira (3), o ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, além de comentar sobre os preparativos para a Copa do Mundo feminina no Brasil em 2027, também destacou como a pasta pode contribuir para o desenvolvimento do país em áreas como a educação superior e a economia.

Na esfera educacional de formação profissional, o ministro explica que a Universidade Federal do Esporte (UFEsporte) não será destinada apenas a esportistas ou profissionais de educação física, mas sim ao público geral que queira se especializar para trabalhar no mercado esportivo. Como exemplo, ele cita a cidade russa de Kazan, onde esteve em 2024, durante os Jogos do BRICS, quando ainda era secretário nacional de Esporte no Ministério.

"A ideia da Universidade do Esporte é formar profissionais do mais alto nível para atuação laboral no esporte. Desde técnicos, árbitros e gestores, com cursos voltados para o futebol e para as diversas modalidades. Estive recentemente em Kazan, que é uma cidade com uma estrutura de universidade para o esporte. Kazan é exatamente isso. E por que não fazermos a mesma coisa aqui no Brasil?", disse.

Já no âmbito econômico, o ministro esteve recentemente na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para alinhar uma parceria estratégica. O objetivo, segundo o chefe da pasta, é integrar o esporte ao campo da inovação e do setor produtivo da indústria.

"A ABDI é uma porta de entrada. Nós discutimos um estudo econômico com relação a oito modalidades olímpicas. E ainda tem outro exclusivo sobre futebol. Quando fomos à ABDI, foi no sentido não só de buscar as luzes decorrentes desses estudos, mas também desmistificar a relação da lei de incentivo ao esporte com os empresários. Vários empresários se sentem receosos de aportar recursos de renúncia fiscal", comenta.

Copa feminina e o estímulo para outras modalidades

Entre junho e julho do próximo ano, o Brasil sediará mais uma Copa do Mundo, dessa vez a feminina. O megaevento acontecerá em oito cidades: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Para o ministro, o legado desse Mundial pode estimular outras modalidades.

"Nesse sentido, o esporte é inclusão e interação entre as pessoas, o esporte é formação cidadã e é uma indústria pungente. Imagina tudo isso avançando no futebol feminino e, consequentemente, trazendo para um guarda-chuva maior todas as outras modalidades esportivas voltadas com mais contundência para as mulheres", destaca.

Já dentro das quatro linhas, o ministro Cordeiro também opinou que seria interessante a realização de um amistoso de futebol entre o Brasil e a Rússia, país do qual a Seleção Brasileira possui, historicamente, uma boa imagem. Segundo ele, a partida seria uma oportunidade positiva.

"É sempre importante ter a Rússia, porque também é uma potência no futebol e em várias coisas. Mas quando se fala do futebol brasileiro e dessa paixão, que é uma paixão nacional, como disse o nosso saudoso Nelson Rodrigues, o futebol é a pátria de chuteira. Seria muito importante [um possível amistoso]", observa.

Programa de incentivos para os atletas e medalhistas

No âmbito do esporte de alto rendimento, o Bolsa Atleta, instituído pela Lei nº 10.891 em 9 de julho de 2004, segue como referência para fomentar os atletas olímpicos brasileiros. O ministro enfatiza a importância desse programa governamental.

"O Bolsa Atleta virou referência e dá um suporte maravilhoso para aquele atleta, especialmente os medalhados e que ainda não chamaram a atenção do grande público. Quando entramos aqui, desde a gestão do ministro [André] Fufuca, e eu estava como secretário nacional de Esporte, tivemos uma preocupação muito grande em fazer o reajuste desses valores, que desde 2014 não vinham sendo reajustados", conclui.

O esporte, além de entretenimento e prática física aconselhável para o bem-estar, é uma área estratégica para a formulação de políticas públicas em diversos setores, funcionando como um motor essencial para o desenvolvimento social e para a projeção da imagem do país no exterior, por meio de seu mercado e de seus atletas.