INDEPENDÊNCIA

Venezuela celebra 215 anos de independência com iniciativas em defesa da soberania

Data marca superações e lutas do país desde a emancipação em 1811 até os desafios atuais.

Por Sputnik Brasil Publicado em 05/07/2026 às 13:30
Venezuela celebra 215 anos de independência com foco na defesa da soberania nacional. © AP Photo / Ramon Espinosa

Neste 5 de julho, a Venezuela celebra 215 anos de independência. Inspirada no legado de Simón Bolívar, figura central das lutas de emancipação da América do Sul, a data é celebrada também como marco de superação dos desafios enfrentados pelo país nos campos econômico, político e diplomático.

Desde sua assinatura, em 1811, que cortou os vínculos com a ex-metrópole Espanha e abriu caminho para a criação da primeira República, a soberania do país tem sido posta à prova diante de pressões externas e das transformações do cenário internacional. E desde então, em diferentes períodos, governos e a população têm resistido e se reinventado para manter-se independentes.

A seguir, conheça cinco dessas iniciativas:

A partir de 2010, a Venezuela passou a enfrentar um amplo conjunto de sanções econômicas e financeiras impostas por países como os Estados Unidos e alguns aliados. O governo venezuelano considera essas medidas uma ameaça à soberania nacional e adotou estratégias para minimizar seus impactos, incluindo mudanças nos mecanismos de comércio exterior, fortalecimento da produção interna em setores estratégicos e busca por novos mercados para exportação, políticas de substituição de importações, busca de mecanismos de pagamento alternativos e denúncia em fóruns multilaterais, argumentando que as medidas violam o direito internacional e afetam a população civil.

A partir de 2018, em meio à crise econômica e ao endurecimento das sanções, o governo passou a adotar medidas para reduzir a dependência do sistema financeiro internacional. Entre elas estiveram a criação da criptomoeda estatal Petro (posteriormente descontinuada), a flexibilização do uso de moedas estrangeiras no mercado interno, novos acordos comerciais em moedas locais e o fortalecimento de relações econômicas com parceiros fora do eixo tradicional.

A política externa venezuelana tem defendido mecanismos de integração latino-americana e caribenha sem a participação de potências extrarregionais, como instrumentos para ampliar a cooperação política, econômica e social entre os países da região e fortalecer sua capacidade de atuação conjunta.

O país participou ativamente da criação e do fortalecimento de organismos como a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA), em 2004, a União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), em 2008, Petrocaribe, em 2005, e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), em 2011, cuja cúpula de inauguração sediou na capital. Caracas.

Em 29 de agosto de 1975, o Congresso venezuelano aprovou a Lei de Nacionalização da Indústria Petrolífera. A medida entrou em vigor em 1º de janeiro de 1976, durante o governo de Carlos Andrés Pérez, criando a estatal PDVSA. O objetivo era transferir ao Estado o controle da exploração e comercialização do petróleo, principal riqueza do país, reduzindo a influência direta das grandes companhias estrangeiras sobre o setor energético.

Durante o governo de Hugo Chávez, a política de soberania econômica foi aprofundada. Em 2001, foi aprovada uma nova Lei Orgânica de Hidrocarbonetos, ampliando a participação do Estado na exploração petrolífera. Entre 2006 e 2007, contratos firmados com empresas estrangeiras foram renegociados, garantindo maioria acionária da PDVSA em diversos projetos da Faixa Petrolífera do Orinoco.

O governo apresentou essas medidas como parte da recuperação do controle nacional sobre recursos estratégicos. Com a intervenção recente dos EUA, essa estratégia tem sido minimizada, no entanto.

A Venezuela investiu na modernização da capacidade de defesa por meio da aquisição de equipamentos militares, ampliação da cooperação internacional no setor e fortalecimento da doutrina de defesa integral do território. Segundo o governo, essas iniciativas têm como objetivo proteger a soberania nacional, preservar a integridade territorial e responder a possíveis ameaças externas.

A Venezuela ampliou sua cooperação com países como China, Rússia, Irã, Turquia e Índia, por meio de acordos nas áreas de energia, infraestrutura, tecnologia, defesa e comércio, buscando ampliar as opções de investimento e financiamento e fortalecer sua autonomia nas relações internacionais.

Dentre os exemplos mais expressivos em números e peso simbólico, estão a dívida venezuelana com a China, estimada em cerca de US$ 67 bilhões (R$ 35 bilhões) em 2023, concentrada em refinarias e usinas e que fez de Pequim o principal financiador do país; a elevação das relações Venezuela-Rússia ao mais alto nível diplomático, em 2025, primeiro status concedido pelo governo russo a um país do continente, formalizada num tratado de dez anos assinado em outubro daquele ano para energia, finanças e infraestrutura, e reforçada pelo apoio simbólico de Moscou à possível entrada da Venezuela no BRICS e por seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU em defesa do governo venezuelano.

A disparada de 1.357% nas importações turcas de produtos venezuelanos em apenas seis meses de 2018, quase toda em ouro, é outro exemplo de peso.

Entretanto, com a mudança drástica da situação política venezuelana nos últimos meses, com a ação militar dos EUA contra a Venezuela no início de janeiro de 2026, e o sequestro do presidente Nicolás Maduro, que está preso em Nova York, boa parte da 'diversificação de parceiros' está em transformação.

O atual governo de transição vem sofrendo imposições estadunidenses para ter privilégios comerciais sobre petróleo, ouro e mineração. A história dirá quais outras batalhas o país bolivariano travará para garantir sua soberania.