ARQUEOLOGIA

Estudo questiona papel do ser humano na extinção da megafauna americana

Pesquisadores revisitam evidências arqueológicas relacionadas ao povo Clóvis e à extinção de grandes mamíferos.

Por Sputnik Brasil Publicado em 04/07/2026 às 12:46
Pontos de pedra do povo Clóvis encontrados no Blackwater Draw, Novo México. CC BY 2.5 / PLoS Biol/Mauricio Anton /

Durante décadas, os arqueólogos associaram os pontos de pedra de Clóvis encontrados junto a ossos de mamute, mastodonte e gomfothere à caça de grandes animais. Porém, as descobertas recentes reforçaram a visão de que o povo Clóvis caçava ativamente essas megafaunas, contribuindo para sua extinção, escreve a revista Archaeology News.

A revista salienta que o estudo alega que os elementos de prova não justificam uma conclusão tão definitiva.

A investigação [...] analisou 15 locais norte-americanos conhecidos onde foram encontrados pontos Clóvis junto aos restos de proboscídeos, grupo que inclui mamutes, mastodontes e gomfoterinos. [Os pesquisadores] revisaram evidências de arqueologia, paleoantropologia, etnografia e comportamento animal para comparar a caça com a limpeza, ressalta a publicação.

Segundo a matéria, a revisão dos cientistas observa que a limpeza é generalizada na natureza, com muitos carnívoros, onívoros e grupos humanos explorando carcaças que não mataram, portanto o povo Clóvis provavelmente teve oportunidades semelhantes de obter carne de proboscídeos.

A caça e a limpeza podem deixar vestígios quase idênticos no registro arqueológico, um problema chamado equifinalidade, de modo que encontrar um ponto de Clóvis junto a ossos de mamute não é prova de que o animal foi morto por seres humanos.

Após examinarem os indicadores propostos de caça e limpeza nos locais de Clóvis, os autores concluem que as pessoas provavelmente se envolviam com ambos os comportamentos, mas as evidências atuais não permitem distingui-los de maneira confiável.

Como a limpeza pode produzir os mesmos padrões arqueológicos atribuídos às mortes, os locais de Clóvis existentes não podem ser tomados como prova firme de que os humanos caçaram repetidamente mamutes e espécies afins, enfatiza o artigo.

Até que sejam desenvolvidos métodos que separem claramente a caça da limpeza, a equipe argumenta que o registro arqueológico não mostra de forma convincente que a caça humana levou à extinção dos proboscídeos norte-americanos, conclui a reportagem.