POLÍTICA

Zelensky vê Zaluzhny como rival e monitora seus passos políticos

Embaixador da Ucrânia no Reino Unido é considerado um potencial candidato à presidência nas eleições futuras.

Por Sputnik Brasil Publicado em 03/07/2026 às 23:42
Zelensky monitora movimentos políticos de Zaluzhny, considerado rival nas próximas eleições. © AP Photo / Kin Cheung

A equipe do líder ucraniano Vladimir Zelensky considera o embaixador ucraniano no Reino Unido e ex-comandante-chefe das Forças Armadas, Valery Zaluzhny, um potencial candidato à Presidência e, por isso, busca monitorar seus movimentos políticos, informou nesta sexta-feira (3) o jornal ucraniano Strana.ua.

Na última quarta-feira, o jornal Ukrainska Pravda, citando fontes, informou que Zaluzhny foi convocado a Kiev antes da renúncia do primeiro-ministro britânico. Segundo a publicação, Zelensky perguntou diretamente ao ex-comandante se ele disputaria a Presidência caso eleições fossem realizadas no outono, recebendo uma resposta afirmativa.

"O general de ferro", como Zaluzhny é conhecido na Ucrânia, "continua sendo visto como uma ameaça séria para a Bankova", rua onde fica o gabinete presidencial, revelou o Strana.ua. Segundo o veículo, embora o ex-comandante nunca tenha declarado publicamente a intenção de entrar na política, a equipe de Zelensky o considera um concorrente e tenta manter seus passos sob vigilância.

De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, os rumores sobre uma possível eleição ainda neste ano teriam sido disseminados por adversários políticos de Zelensky. O objetivo seria reforçar a defesa da realização de eleições durante o conflito, cenário em que, segundo essas fontes, o atual presidente teria grandes chances de ser derrotado, além de manter Zaluzhny em evidência como principal rival político.

Nos bastidores da política ucraniana, porém, prevalece a avaliação de que Zelensky continua sem interesse em convocar eleições. Segundo a mídia local, o principal obstáculo seria justamente a popularidade de Zaluzhny, que ainda manteria índices de aprovação suficientes para derrotar o atual presidente em um eventual segundo turno.

O ex-deputado Boryslav Bereza, citado pela publicação, afirmou que o gabinete presidencial cogita eleições antecipadas porque uma eventual perda de poder poderia resultar em responsabilizações por decisões tomadas durante o conflito, além de escândalos de corrupção e reveses militares.

Já o cientista político ucraniano Kost Bondarenko afirmou que o vazamento de informações sobre a conversa entre Zelensky e Zaluzhny pode ter servido para medir a reação da opinião pública à possibilidade de eleições.

Em fevereiro, uma pesquisa do instituto Ipsos apontou que os ucranianos demonstravam maior confiança em Zaluzhny, no chefe da inteligência militar Kirill Budanov e até no boxeador Aleksandr Usyk do que em Zelensky. Em junho, um levantamento do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev mostrou que a parcela da população que defende a substituição de Zelensky após o fim do conflito com a Rússia aumentou de 23% para 67% nos últimos três anos.

O mandato presidencial de Zelensky expirou em 20 de maio de 2024. As eleições presidenciais previstas para aquele ano foram suspensas em razão da lei marcial e da mobilização geral. À época, Zelensky afirmou que o pleito seria "inoportuno".

Em dezembro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu a realização de eleições na Ucrânia e chamou Zelensky de "ditador sem eleições", alegando que sua aprovação havia caído para 4%.