Rádio UFRJ FM é inaugurada com nova programação para o Grande Rio
A emissora promete diversidade musical e conteúdos variados, com cobertura para uma audiência de até 10 milhões.
Quase 40 anos após seu primeiro sinal, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) inaugurou, nesta sexta-feira (3), a Rádio UFRJ FM, na frequência 88,9 FM.
A programação inclui música independente, conteúdos infantojuvenis, divulgação científica, notícias e esportes, além de blocos da Rádio MEC AM, sob a gestão da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
O professor Marcelo Kischinhevsky, diretor da UFRJ FM e um dos idealizadores da emissora, relembra suas experiências desde a Rádio Livre, que foi transformada em Rádio Interferência após três anos.
A rádio, que operou durante duas décadas, foi fechada em razão de um suposto uso ilegal de transmissor. Somente em 2014, a UFRJ conquistou o canal FM após intermediações do Ministério Público Federal.
“Começamos a montar a rádio com um transmissor improvisado e gravando programação em fita cassete”, recorda Kischinhevsky.
Marcelo destacou que a nova concessão permite que a rádio se estruture, contando com recursos de emendas parlamentares para adquirir equipamentos necessários.
No ano de 2025, a UFRJ e a EBC conseguiram a licença para instalar os transmissores no Morro do Sumaré, no Parque Nacional da Tijuca, e iniciaram transmissões experimentais para todo o Grande Rio. A meta é alcançar 10 milhões de ouvintes. Desde 2019, a rádio já funcionava na internet e como laboratório.
O professor Kischinhevsky confessou que, ao ouvir a rádio ativa em um pequeno rádio portátil, sentiu uma mistura de emoção, lembrando da longa trajetória da emissora: “Escorreu uma lágrima, mas logo a alegria tomou conta”, compartilhou em uma newsletter.
A professora Suzy dos Santos, especialista em políticas de comunicação, ressaltou que a nova emissora traz pluralidade ao dial carioca. “A radiodifusão comercial é concentrada e muitas vezes manipulada por interesses econômicos. A Rádio UFRJ, ao contrário, é voltada à construção de uma sociedade democrática”, afirmou.
O estudante de jornalismo Davi Maia, que contribuiu com a lista de músicas para a inauguração, destacou a importância de oferecer espaço à música independente em oposição às limitações das rádios comerciais.
“A rádio é o nosso coração, um espaço para crescer”, disse Maia, que iniciou sua trajetória profissional na emissora.
O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, enfatizou a necessidade de um veículo que combata a desinformação, especialmente entre os jovens. Ele lembrou que a democracia é uma conquista que deve ser mantida.
Para 2027, a Rádio UFRJ fará uma seleção de novos programas, convidando propostas de toda a comunidade acadêmica e do público em geral, desde que alinhadas aos princípios da emissora.
Com um propósito de democratizar informação e cultura, a rádio buscará integrar a sociedade universitária e também construir uma agenda de debates relevantes para o estado do Rio de Janeiro.
A Rádio UFRJ conta com um Conselho Curador e faz parte da Rede Nacional de Comunicação Pública, gerenciada pela EBC, que abrange 168 rádios e 165 TVs em todo o Brasil.