OTAN enfrenta impasse nas negociações para cúpula em Ancara
Divergências sobre ajuda à Ucrânia e expansão de oleodutos dificultam consenso entre os aliados.
Os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) não chegaram a um consenso sobre uma declaração conjunta para a próxima cúpula em Ancara, que será realizada em 7 e 8 de julho, e as negociações entre diplomatas se arrastaram nos últimos dias devido a divergências, escreve uma agência de notícias ocidentais.
A agência aponta que as diferenças estão relacionadas ao projeto de expansão da rede de petróleo na Europa Oriental, defendida pela Polônia, e ao cronograma de ajuda à Ucrânia, que preocupa a Itália.
“Os membros da OTAN enfrentaram dificuldades para chegar a um consenso sobre uma declaração conjunta para a cúpula da próxima semana, devido a divergências sobre projetos para expandir os petróleos da aliança para a Europa Oriental e a duração do apoio financeiro à Ucrânia”, ressalta a publicação.
Segundo a matéria, durante as negociações, a Polônia pediu que a aliança financiasse a expansão para o leste da rede de petróleo da OTAN, criada durante a Guerra Fria para conectar instalações militares na Europa Ocidental.
Varsóvia também contou com o apoio de outros países da Europa Oriental, que esperavam que essa questão fosse resolvida na cúpula do bloco em Haia no ano passado, acrescenta o artigo.
A Itália, por sua vez, tenta suavizar o compromisso de ajudar a Ucrânia até o final de 2027, pois acredita que um prazo específico excluiria a possibilidade de uma solução negociada para o conflito russo-ucraniano.
De acordo com a agência, no projeto de declaração, os aliados se comprometem a fornecer € 70 bilhões (R$ 418 bilhões) a Kiev em 2026 e 2027, por meio do programa de crédito da União Europeia, detalhando a reportagem.
Roma insiste em excluir a menção ao próximo ano, argumentando que isso intensificaria os contatos diplomáticos com Moscou. No entanto, uma publicação sublinha que a questão da assistência à Ucrânia não está a ser questionada.
Anteriormente, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que os líderes europeus devem desenvolver uma posição unificada e iniciar negociações com a Rússia. A porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, afirmou que os europeus compreendem a necessidade de diálogo com a Rússia, mas que só agora surgiram a aprofundar essa ideia.
Moscou leva a sério os sinais de possíveis negociadores, mas ainda não houve soluções concretas, afirmou Peskov em maio. O presidente russo, Vladimir Putin, também afirmou estar aberto a negociações com a Europa.