ECONOMIA

Ibovespa avança mesmo com dados industriais fracos e feriado nos EUA

Desvalorização do minério de ferro não impede alta do índice, que se recupera com o declínio dos juros futuros.

Por Estadao Conteudo Publicado em 03/07/2026 às 11:33
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A desvalorização de 1,74% do minério de ferro em Dalian, na China, é insuficiente para evitar a alta do Ibovespa, refletindo o declínio dos juros futuros. O pregão desta sexta-feira, 3, pode ser de liquidez reduzida, devido ao feriado do Dia da Independência dos Estados Unidos.

Após abertura na mínima aos 172.790,39 pontos, o Ibovespa avançou para o território positivo, ganhando tração na sequência. Por volta das 11 horas, o índice alcançou o nível de 174 mil pontos, apagando a queda semanal.

Esse movimento coincidiu com a recuperação das ações de primeira linha, sugerindo atenção do investidor estrangeiro, em razão do fechamento das Bolsas de Nova York. Os papéis da Petrobras apresentaram ganhos, acompanhando a virada do petróleo, após ambos terem recuado mais cedo, assim como a Vale. Além disso, os papéis de bancos aumentaram seu ritmo de valorização, bem como outros mais sensíveis ao ciclo econômico, em meio ao recuo dos juros futuros, após o resultado da produção industrial de maio, que foi menor do que o esperado.

Segundo Thiago Salomão, fundador e CEO do Market Makers, o grande evento da semana foi o payroll - relatório do mercado de trabalho dos EUA - divulgado ontem. "A fraqueza na geração de vagas de emprego esvaziou apostas de alta de juros na próxima reunião do Fed. Isso é bom para esse momento de assimetria do Ibovespa", afirma.

Junto a essa avaliação sobre o payroll, o petróleo na faixa de US$ 70 o barril diminui as expectativas inflacionárias para o futuro, o que pode permitir menos alta de juros nos EUA e mais cortes da Selic, sugere Salomão.

Divulgados nesta sexta, os dados de produção industrial de maio revelaram um recuo de 0,2% na margem e uma elevação de 0,2% na comparação com o quinto mês de 2025. O resultado mensal contrariou a expectativa mediana de expansão de 0,2%. Em relação ao dado interanual, ficou mais perto do piso de -0,1%, com teto positivo de 3,3% e uma mediana de alta de 1,2%.

Esses números podem reforçar o processo de desaceleração da atividade econômica brasileira, o que abriria espaço para uma nova queda da Selic em 0,25 ponto porcentual no Comitê de Política Monetária (Copom) em agosto.

Conforme o Itaú Unibanco, após um resultado forte em abril, os dados de hoje sugerem uma moderação na indústria. No entanto, o banco espera que a produção manufatureira permaneça relativamente estável ao longo do restante do ano, em linha com o padrão observado em 2025.

Na quinta-feira, o Índice Bovespa fechou com alta de 0,64%, aos 172.787,62 pontos, quase zerando a queda semanal (-0,29%). Na semana passada, houve uma elevação de 2,95%. O giro financeiro somou R$ 19,57 bilhões, abaixo da média diária entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões. Em Nova York, as bolsas encerraram a quinta-feira sem direção única, com perdas em ações ligadas a semicondutores e inteligência artificial (IA) e em meio ao relatório de emprego dos EUA.

Segundo Alvaro Maia, da StoneX, os mercados operam em ritmo mais lento com Wall Street fechada pelo Independence Day. O payroll fraco segue repercutindo globalmente, reduzindo a pressão sobre o Federal Reserve (Fed). Paralelamente, Maia acrescenta em nota que investidores monitoram índices de gerentes de compras (PMIs) - europeus, da China e Japão -, as tensões comerciais entre Brasil e EUA e o comportamento das commodities.

Às 11h26, o Ibovespa subia 0,69%, aos 174.006,74 pontos, com alta de 0,81%, na máxima aos 174.193,43 pontos, após mínima de abertura em 172.790,39 pontos. A alta foi de 0,41% na semana.