AVALIAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO EM MEIO À ELEIÇÃO PRESIDENCIAL.

'Estrangeiro não tem medo do Lula; estrangeiro conhece o Lula', diz chefe do BofA

David Beker destacou a calma dos investidores estrangeiros em relação à reeleição do presidente Lula.

Por Estadao Conteudo Publicado em 03/07/2026 às 11:20
BANK OF AMERICA Reprodução / internet

O chefe de Economia no Brasil e Estratégia para América Latina do Bank of America (BofA), David Beker , disse nesta sexta-feira, 3, que o mercado começou a operar a corrida ao Palácio do Planalto sem grande preocupação do lado dos investidores estrangeiros em relação a uma reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva .

"As pessoas me perguntam se o estrangeiro tem medo do Lula. Não, não tem. O estrangeiro conhece o Lula", disse Beker durante o café da manhã com jornalistas.

Ao citar reações de investidores após as divulgações de pesquisas de intenção de voto, Beker apontou que o mercado já está operando a eleição. Há, no entanto, uma percepção de ajuste das contas públicas, independentemente do resultado das urnas, que impede um grande estresse.

Ele disse que o cenário do banco é de algum ajuste fiscal mesmo se Lula vencer a eleição. A dúvida, emendou, é qual será a magnitude deste ajuste. A eliminação do piso de gastos em saúde e educação, assim como a continuidade na revisão dos benefícios fiscais, com alguma discussão de programas sociais, são as possibilidades no radar.

“Sempre houve um problema fiscal, que aumenta conforme o tempo passa. Então, a necessidade de fazer ajuste fiscal é inerente ao cenário do Brasil”, afirmou Beker. “O investidor estrangeiro não está preocupado com uma vitória de Lula”, reiterou.

O economista acrescentou que a preocupação dos estrangeiros em relação às contas públicas do Brasil foi relativizada por dificuldades fiscais em outras economias. "Isso tirou um pouco da pressão, porque o estrangeiro fala assim: todo mundo tem problema fiscal."

Com a tendência de alguma abertura nas contas públicas, o BofA revisou para baixo, de 2% para 1,3%, a previsão ao crescimento do PIB no ano que vem. Para 2028, a expectativa é de continuidade na desaceleração, com a economia crescendo apenas 1%.