Urbia deixará gestão de parques Cantareira e Horto Florestal
Governo paulista inicia estudos para possível 'relicitação' após rompimento de contrato de concessão com a Urbia.
Responsável desde 2022 pela gestão dos parques estaduais **Cantareira** e **Alberto Löfgren** (Horto Florestal), localizados na zona norte de **São Paulo** e na região metropolitana da capital, a **Urbia** decidiu romper o contrato de concessão de 30 anos com o governo do Estado e deixar a administração das duas áreas.
O secretário de Parcerias em Investimentos, **Rafael Benini**, afirmou nesta quinta-feira, 2, em conversa com a imprensa, que a empresa já realizou todos os investimentos previstos no contrato, mas não viu vantagem em manter a administração, já que, segundo ele, não conseguiu obter lucro com os serviços oferecidos nos parques.
A Urbia continuará à frente da gestão das áreas até que o governo paulista adote uma solução definitiva para a situação. Nesta quinta-feira, foi publicada no Diário Oficial do Estado uma resolução que prevê a realização de estudos para uma eventual **"relicitação"** no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos do Estado de **São Paulo** (**PPI-SP**).
**"A avaliação poderá considerar eventual relicitação ou possível repactuação contratual, conforme previsto na resolução publicada. Neste momento, não há definição sobre nova concessão ou modelo a ser adotado**," informou a Secretaria de Parcerias em Investimentos, em comunicado.
A Urbia, também por meio de nota, informou que permanece responsável pela gestão dos parques, afirmou que cumprirá as obrigações contratuais e garantiu que manterá a operação e a prestação dos serviços aos visitantes até que o impasse seja solucionado.
A concessionária confirmou que estão sendo avaliadas alternativas que incluem eventual relicitação ou repactuação contratual e que **"não há definição final sobre a solução que será adotada"**.
A concessão dos parques Cantareira e Horto Florestal foi assinada em 2022 pelo então governador **João Doria** (à época no **PSDB**). O valor da outorga foi de cerca de **R$ 850 mil**.
Ficou estabelecido que a Urbia seria responsável pelos serviços de limpeza, manejo e vigilância dos parques, pela modernização das estruturas, pela ampliação da oferta de serviços e pela conservação e manutenção dos espaços durante os 30 anos da concessão.
Em contrapartida, a empresa recebeu autorização para explorar alguns serviços, como a cobrança de ingressos - a entrada para o Parque Cantareira poderia chegar a **R$ 60**, alimentação, comércio, transporte e atividades de ecoturismo.
O contrato previa também intervenções obrigatórias por parte da Urbia, como a criação de uma ligação e de um serviço de transporte entre os dois parques (que poderia ser cobrado), a oferta de serviços de alimentação em ambas as unidades e a disponibilização de redes **Wi-Fi** gratuitas ao menos no Horto Florestal e no Núcleo Engordador.
Foi acordado entre o Estado e a concessionária um investimento mínimo de **R$ 45,5 milhões**, dos quais **R$ 31 milhões** deveriam ser aplicados até 2028. Considerando as demais intervenções previstas, o investimento total estimado no contrato era de **R$ 56 milhões**. A receita estimada pelo governo era de **R$ 882,1 milhões**, com retorno esperado a partir do sétimo ano.
A Urbia também administra o Parque Ibirapuera, na zona oeste de São Paulo, além dos parques Eucaliptos, Jacintho Alberto, Jardim Felicidade, Lajeado e Tenente Brigadeiro Faria Lima.