ACORDO COMERCIAL

Acordo Mercosul-Japão pode impulsionar 18,4% das exportações brasileiras

Parceria poderá beneficiar US$ 1,7 bilhão em exportações e reduzir tarifas em importações de até US$ 4,6 bilhões.

Por Estadao Conteudo Publicado em 02/07/2026 às 18:19
Reprodução / Agência Brasil

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) está otimista sobre resultados de um possível acordo entre o Mercosul e o Japão, que está em fase inicial de negociação e é considerado "estratégico" pela entidade. Se confirmada, a parceria econômica tem potencial para beneficiar cerca de US$ 1,7 bilhão ou 18,4% da pauta exportadora brasileira, especialmente alimentos e bebidas, ferroligas e óxidos de alumínio, segundo levantamento da entidade.

Nas importações, aproximadamente US$ 4,6 bilhões em produtos - entre eles peças automotivas, veículos, máquinas e equipamentos - poderão ser contemplados com redução ou eliminação de tarifas, contribuindo para aumentar a competitividade da indústria nacional.

Ainda de acordo com a Federação, em 2025 o comércio entre Brasil e Japão movimentou US$ 11,54 bilhões. "O avanço fortalece a inserção do Brasil no comércio internacional, amplifica as oportunidades para a indústria nacional e cria um ambiente favorável à expansão do comércio, dos investimentos e da integração do país às cadeias globais de valor, em um contexto de reconfiguração das relações comerciais internacionais", avalia a Fiemg, em nota.

Atualmente, produtos como minério de ferro, café, carne suína, alumínio em formas brutas e álcool etílico já ingressam no mercado japonês com isenção tarifária, mas as negociações poderão ampliar as oportunidades para outros segmentos da pauta exportadora brasileira.

"Para a indústria, os ganhos podem ocorrer em duas frentes: com a ampliação do acesso de produtos brasileiros ao mercado japonês, especialmente nos setores que já exportam, e com a redução dos custos de insumos, máquinas e tecnologias importadas do Japão, fortalecendo a competitividade da produção nacional", afirma Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Fiemg, lembrando que o Japão é um mercado altamente exigente e as empresas brasileiras precisam estar preparadas.

Segundo a coordenadora, a aproximação entre os dois mercados também poderá impulsionar uma agenda mais ampla de cooperação. "Além dos efeitos sobre o comércio, há potencial para ampliar investimentos, incentivar a inovação, fortalecer iniciativas em bioenergia e descarbonização e contribuir para um ambiente de negócios mais competitivo e previsível para as empresas dos dois países", destaca.

A Federação ressalta ainda que a indústria de transformação e a agropecuária tendem a ser os setores brasileiros mais beneficiados por futuras reduções tarifárias, uma vez que respondem por cerca de 81,8% dos produtos com potencial de receber tratamento preferencial.

Outro efeito esperado é o fortalecimento dos investimentos bilaterais. Em 2025, o estoque de investimentos entre Brasil e Japão alcançou US$ 27,9 bilhões, dos quais US$ 27,8 bilhões correspondem a investimentos japoneses no Brasil, concentrados principalmente na indústria de transformação e no comércio automotivo. Para a Fiemg, o aprofundamento dessa relação poderá contribuir para a modernização da indústria brasileira, a incorporação de novas tecnologias e o aumento da competitividade do país no cenário internacional.