Brasil acelera negociações tarifárias com os Estados Unidos
Márcio Elias Rosa afirma que país não abrirá mão de sua soberania nas discussões.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, realizou nesta quinta-feira (2) a quinta reunião de alto nível com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a investigação comercial baseada na Seção 301, que pode resultar em tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Após a abertura do Fórum Brasil Mais Verde, na sede do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro, Elias Rosa afirmou à imprensa que o Brasil "corre contra o tempo", mas não negocia a soberania nacional.
O ministro criticou, sem citar nomes, agentes políticos que tentam politizar a disputa comercial, em alusão a tentativas de interferência da família Bolsonaro nas discussões. Elias Rosa reiterou a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de manter o diálogo até o fim, mas ressaltou que há temas fora de discussão, como a soberania nacional.
De acordo com Elias Rosa, o governo brasileiro propôs maior integração no combate ao crime organizado transnacional, em maior aproximação entre a Polícia Federal e órgãos de inteligência estadunidenses no enfrentamento à lavagem de dinheiro e à imigração irregular.
Também foram discutidas questões como comércio digital, inclusive a política brasileira para data centers, e propriedade intelectual, área em que o Brasil diz já seguir padrões internacionais, mas se declara aberto a aperfeiçoamentos.
O prazo para definição das medidas contra o Brasil termina em 15 de julho. Uma nova reunião técnica está prevista para a próxima semana, seguida de outro encontro de alto nível, de acordo com o ministro.
Elias Rosa destacou ainda que, mesmo diante de um cenário geopolítico adverso, o Brasil conquistou 640 novos mercados em três anos de governo, com avanços em acordos como Mercosul-União Europeia, Cingapura e Canadá, além de negociações abertas com o Japão.
ProFloresta+: BNDES anuncia segundo leilão de crédito de carbono, com objetivo de arrecadar R$ 6 bilhões
No evento, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, anunciou que a instituição vai realizar, ainda este ano, um segundo leilão de créditos de carbono oriundos de restauração florestal, com estimativa de movimentar R$ 6 bilhões na segunda fase do programa ProFloresta+.
Segundo o presidente do BNDES, a instituição já aprovou R$ 14 bilhões para plantio de florestas. O número equivale a 342 milhões de árvores. Mercadante assumiu o compromisso de elevar o total investido para R$ 20 bilhões.
Na primeira fase do programa, a Petrobras atuou como compradora âncora dos créditos gerados por projetos de restauração na Amazônia, em contrato de 20 anos. Na nova etapa, o banco pretende ampliar o número de compradores, com empresas de setores como química e óleo e gás, além de abrir edital para financiar fornecedores com projetos de plantio.
Com a iniciativa, o BNDES planeja restaurar 60 mil hectares em diferentes biomas do país e capturar cerca de 19 milhões de toneladas de CO2.