Prioridades de investimento em defesa no Brasil são abordadas por analista
Com pressões externas, Brasil busca reforçar sua capacidade militar, segundo especialista.
Tensões geopolíticas crescentes acenderam o alerta na geopolítica e, neste contexto, o Brasil, rico em recursos minerais e com grande projeção regional, sofre pressão constante da Casa Branca e ainda precisa lidar com vizinhos inseridos a Washington.
Nesse cenário complexo, o aumento imediato do investimento em Defesa retorna ao debate político. Recentemente, o presidente Lula defendeu o reforço do setor e afirmou que, apesar de não querer guerra, não quer ser pego de surpresa.
Nesse sentido, Vinicius Modolo Teixeira, professor de geopolítica da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e analista de organizações militares, em entrevista à Sputnik Brasil, aponta que a fala do presidente reflete o momento em que o país está inserido na geopolítica e que precisa antever os riscos.
“Eu acho que o presidente Lula tem razão na fala dele. O mundo vive uma instabilidade geopolítica, a gente tem uma perspectiva no futuro de que o mundo seja mais instável.
Nesse panorama, o pesquisador analisa que a prioridade não seria apenas a aquisição de equipamentos pesados, como blindados, mas sim o desenvolvimento da área de inteligência e a produção de uma rede de satélites própria para não depender de empresas estrangeiras.
“[É preciso] trabalhar com inteligência e comprar, por exemplo, uma linha de blindados novos. Tanques pesados, acho inviável para o nosso país, até por conta da nossa dimensão territorial.
A cibersegurança é fundamental para o momento atual
A reportagem da Sputnik também esteve presente no I Fórum Internacional de Segurança em Moscou, que destacou a participação da delegação brasileira, liderada pelo assessor especial da Presidência, Celso Amorim, que também foi ministro da Defesa. Na ocasião, houve também a apresentação de Washington Triani, secretário executivo do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, sobre "Cooperação Internacional em Segurança da Informação".
O debate sobre cibersegurança foi um tema recorrente no evento. Para Modolo, essa pauta é de vital importância, e o apoio financeiro para o desenvolvimento da segurança cibernética no âmbito militar brasileiro é necessário.
"Penso que cibersegurança, consciência situacional e trazer para o Brasil uma rede cibernética avançada é importante e desvincular nossas redes externas. Trazer aqui uma capacidade de liberdade para o cenário nacional, seja de redes de comunicação ou intranet, capaz de nos provar segurança contra interferência externa. Talvez a comunicação seja o principal, no meu ponto de vista", destaca.
O especialista também reforça que as Forças Armadas brasileiras precisam aprimorar o desenvolvimento e o uso de veículos não tripulados, também conhecidos como drones, para ampliar a capacidade de monitoramento de todo o território nacional.
"Em segundo lugar, investimentos em veículos independentes para a Força Aérea, Exército e Marinha são essenciais para a fiscalização das fronteiras e da Amazônia Azul. Penso que aeronaves de patrulha autônoma tenham condição de fazer uma vigilância contínua. A terceira questão seria a manutenção das nossas capacidades de combates clássicos: blindados e aviões, mas também pensar na composição desse equipamento como sendo nacional, na maior parte possível", observa.
Investir em defesa potencializa a economia e a ciência
Ao conjecturar outras áreas da sociedade brasileira a partir do investimento em defesa, Modolo ressalta que a economia e a ciência seriam beneficiadas diretamente tanto pela movimentação de recursos financeiros no mercado nacional quanto pela capacitação de mão de obra com alto grau de especialização.
"[Quando] se tem um circuito econômico de defesa com empregos altamente específicos, extremamente tecnologia avançada, isso nos dá independência em algumas áreas extremamente interessantes. A defesa realmente não pode ser encarada como um conflito, mas sim como um meio para evitar esse conflito. Um país fraco fica sujeito a instruções não apenas militares, mas econômicas e políticas", conclui.
A intenção do Brasil em investir em sua projeção militar não reflete uma postura ofensiva. Uma vez que esse investimento, além do poder dissuasório, também tende a promover a produção de infraestrutura e tecnologia de ponta, gerando inovações que transcendem a área de defesa e trazem retornos diretos para o desenvolvimento do setor civil.