INVESTIGAÇÃO APURA POSSÍVEL FALSIFICAÇÃO DE ESCRITURA EM OPERAÇÃO ENVOLVENDO DEPUTADO.

Operação da PF apura escritura falsa de aliados de Sóstenes para justificar dinheiro apreendido

Deputado afirma que quantia seria resultado da venda de um imóvel, mas datas levantam suspeitas.

Por Sputnik Brasil Publicado em 01/07/2026 às 17:23
Deputado Sóstenes Cavalcante é investigado por possível falsificação de escritura. © Foto / Bruno Spada / Câmara dos Deputados

A Polícia Federal (PF) realizou, nesta quarta-feira (1º), uma operação contra aliados do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), suspeitos de forjarem uma escritura de imóvel para justificar os R$ 470 mil encontrados na casa do parlamentar em uma operação em dezembro do ano passado.

À época, o valor em espécie estava em um endereço ligado a Sóstenes, guardado em um saco preto dentro de um armário. O deputado afirmou que o dinheiro havia sido recebido poucos dias antes pela venda de um imóvel e que não o depositou por causa da "correria de trabalho", classificando a situação como um "lapso".

Conforme publicado pelo portal g1, no entanto, a PF destacou que a escritura de venda do imóvel foi registrada somente em 30 de dezembro de 2025, 11 dias após a operação. O documento aponta que o pagamento da quantia em espécie teria sido feito em 24 de novembro daquele ano.

A PF entende que a escritura é uma forma de tentar justificar a quantia encontrada na operação, sendo as datas da ação policial, do registro do documento e do suposto pagamento um reforço dessa suspeita.

"Em outras palavras, os interessados somente levaram a registro cartorário, após a apreensão do numerário, uma narrativa documental destinada a conferir lastro formal a uma alegada transação pretérita [feita anteriormente]."

Ainda de acordo com as investigações, não foram localizadas movimentações bancárias compatíveis por parte do comprador com o pagamento declarado na escritura do imóvel.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que autorizou a nova fase da operação, declarou que há suspeitas de que empresas tenham movimentado R$ 15 milhões, com parte desse valor sendo proveniente de recursos públicos ligados a Sóstenes.

Em dezembro de 2025, quando a operação foi deflagrada, a PF declarou que Sóstenes e o também deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) eram suspeitos de usar empresas de fachada para justificar despesas custeadas com dinheiro dos contribuintes, incluindo aluguéis de carros.