Bolonha abre biblioteca com 32 mil livros da coleção de Umberto Eco
Volumes refletem a vasta gama de interesses do autor, morto em 2016
A Universidade de Bolonha inaugurou nesta quarta-feira (1º) a Biblioteca Umberto Eco, um novo espaço que reúne mais de 32 mil volumes provenientes da casa-estúdio do semiólogo e escritor em Milão.
A abertura ocorre 10 anos após a morte do intelectual, que foi professor da instituição considerada como a melhor universidade pública da Itália.
Instalada na ala novecentista do Palácio Poggi, a biblioteca preserva o arranjo conceitual original idealizado por Eco, refletindo a amplitude de seus interesses: da filosofia medieval à semiótica, da literatura à linguística, da cultura popular aos quadrinhos, das fábulas à comunicação de massa, além de temas como cabala, magia, alquimia e teorias da conspiração - áreas centrais tanto em sua produção acadêmica quanto em sua obra ficcional.
Entre os destaques do acervo estão mais de 2 mil livros escritos ou organizados por Eco em diversas edições e traduções, cerca de 600 volumes dedicados à sua obra, a coleção completa da revista de quadrinhos Linus (da qual foi cofundador, em 1965) e exemplares de trabalho anotados de seus romances.
O local será futuramente ampliado com os livros da residência de Monte Cerignone, em Pesaro e Urbino, doados pelos herdeiros de Eco ao Estado italiano em 2020, com a condição de que fossem cedidos em comodato à Universidade de Bolonha.
A nova biblioteca representa uma das mais importantes coleções de autor da contemporaneidade e estará aberta à comunidade científica e ao público em geral.
Umberto Eco morreu em 19 de fevereiro de 2016, aos 84 anos de idade, como um dos maiores escritores e intelectuais da Itália.
Entre seus maiores sucessos literários estão "O nome da rosa" (1980) e "O pêndulo de Foucault" (1988).
O semiólogo também tinha uma rica coleção de 1,2 mil livros antigos, que foi repassada à Biblioteca Nacional Braidense, em Milão.