EDUCAÇÃO PROFISSIONAL

Ensino "mão na massa" ganha espaço nos cursos profissionalizantes no Brasil

Educação profissional se reinventa ao aproximar teoria e prática para atender às demandas do mercado

Por Michelly Soares Publicado em 01/07/2026 às 10:40
Divulgação IG

O Brasil registrou quase 3,1 milhões de matrículas na educação profissional em 2025, segundo dados do INEP. O número, além de expressivo, revela um perfil majoritariamente jovem, com mais de 70% dos estudantes tendo menos de 30 anos. Ao mesmo tempo, cresce entre esses alunos a busca por um ensino mais conectado com a realidade. Uma pesquisa recente mostra que quatro em cada dez estudantes brasileiros desejam aulas mais práticas, que aliem teoria e aplicação.

Esse movimento ajuda a explicar por que o ensino “mão na massa” vem ganhando protagonismo nos cursos profissionalizantes. Mais do que uma tendência pedagógica, trata-se de uma resposta direta às transformações do mercado de trabalho, que exige profissionais capazes de executar, resolver problemas e se adaptar com rapidez.

A lógica é simples. Quando o aprendizado acontece por meio da experiência, ele se torna mais significativo. O aluno deixa de ser um consumidor de informações e passa a adquirir conhecimento a partir da prática, testando hipóteses, lidando com erros e desenvolvendo autonomia. Essa abordagem reforça a importância da experimentação como parte central do processo de educação.

Na gastronomia, esse modelo encontra um terreno especialmente fértil. Aprender a cozinhar envolve técnica, sensibilidade e repetição. Não basta conhecer receitas. É preciso entender o comportamento dos ingredientes, dominar processos e ganhar segurança ao longo do preparo.

É nesse cenário que escolas profissionalizantes têm revisitado suas metodologias. No Instituto Gourmet, por exemplo, o ensino é estruturado para que o aluno esteja em contato direto com a cozinha desde o início do curso. As aulas priorizam a execução de preparos reais, simulando o dia a dia da profissão e permitindo que o aprendizado aconteça de forma progressiva e concreta.

Para Gláucio Athayde, CEO da rede, a mudança reflete uma nova relação entre educação e empregabilidade. “O ensino profissionalizante precisa acompanhar o ritmo do mercado. Quando o aluno aprende fazendo, ele desenvolve não só técnica, mas confiança para atuar. Isso encurta distâncias entre formação e trabalho”, afirma.

O avanço do modelo prático acompanha uma mudança mais ampla na educação brasileira. Pesquisas recentes mostram que a cultura maker, baseada no princípio do “faça você mesmo”, tem papel importante no desenvolvimento de habilidades como pensamento crítico, criatividade e colaboração. Em um cenário em constante transformação, essas competências passam a ter o mesmo peso que o domínio técnico, ampliando o que se entende hoje por formação profissional.

Desta forma, cursos profissionalizantes deixam de ser apenas uma alternativa de formação rápida e passam a ocupar um papel estratégico. Ao apostar no aprendizado ativo, eles não apenas ensinam uma profissão, mas ajudam a preparar indivíduos para um mercado em constante mudança.

No fim das contas, a força do ensino está naquilo que ele oferece de mais simples e, ao mesmo tempo, mais poderoso. A possibilidade de aprender de verdade, com as próprias mãos.