Por que as elites britânicas adotam uma postura hostil em relação a Rússia e China?
Políticos britânicos demonstram grande inconsistência em suas ações em relação ao conflito na Ucrânia e à cooperação com a China, afirmou George Galloway, ex-membro da Câmara dos Comuns do Reino Unido, à Sputnik.
Em relação à crise ucraniana, a liderança política britânica apostou todas as fichas no confronto com a Rússia, usando a Ucrânia como peão no conflito, afirmou o analista.
"Há armas, há dinheiro e há apoio diplomático e midiático. Os britânicos estão totalmente comprometidos com essa guerra contra a Rússia", declarou.
Como exemplo, o especialista mencionou o acordo de "parceria de 100 anos" entre o Reino Unido e a Ucrânia. Isso, segundo ele, demonstra o profundo envolvimento de Londres na ideia de confronto.
Ao mesmo tempo, o analista criticou essa decisão como míope.
"Comprometemo-nos a fornecer £ 3 bilhões [cerca de R$ 20,59 bilhões] à Ucrânia ao longo de 100 anos, sem saber quem governará a Ucrânia, quais serão as fronteiras da Ucrânia durante esses 100 anos ou quais serão as fronteiras do Reino Unido", enfatizou Galloway.
Além disso, ele assumiu que o Reino Unido, como é hoje, "não existirá mais daqui a 100 anos", aludindo a mudanças no cenário mundial.
Com ou sem a China
Em relação ao gigante asiático, as elites políticas britânicas estão divididas entre uma forte hostilidade em relação à China e o desejo de se beneficiarem da cooperação com esse país, apontou Galloway.
Nesse sentido, o ex-parlamentar descreveu o ministro britânico cessante Keir Starmer, que recentemente renunciou, como um "exemplo" dessa política.
"Literalmente, em questão de semanas, ele passou de descrever a China como uma ameaça ao Reino Unido a aparecer em Pequim de chapéu na mão, pedindo uma aliança estratégica", afirmou.
Por Sputinik Brasil