Boulos acusa bancos de travarem Move Brasil e critica pressão contra fim da escala 6 x 1
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), acusou bancos de criarem obstáculos à implementação do programa Move Brasil Táxi e Aplicativos e criticou a atuação de setores empresariais contra o projeto que extingue a jornada de trabalho 6 x 1.
As declarações foram dadas nesta terça-feira (30) durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Segundo Boulos, instituições financeiras têm recusado pedidos de financiamento de taxistas e motoristas de aplicativos, mesmo quando os solicitantes possuem nome limpo e contam com a cobertura do fundo garantidor oferecido pelo governo federal.
"O governo entra com um fundo garantidor. Se a pessoa tem nome limpo, esse crédito tem que ser aprovado", afirmou o ministro, ao classificar a situação como "inadmissível".
Além das negativas de crédito, Boulos disse que bancos estariam cobrando entrada para liberar financiamentos, uma prática que, segundo ele, não é exigida pelas regras do programa. O ministro ainda apontou falhas na integração entre as instituições financeiras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável por operacionalizar a linha de crédito de R$ 30 bilhões destinada ao Move Brasil.
Diante disso, o governo pretende convocar as instituições financeiras, especialmente os bancos privados, para solucionar os problemas identificados na execução do programa.
Tramitação do fim da escala 6 x 1 no Senado
Durante a entrevista, Boulos também culpou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e entidades empresariais pela demora na tramitação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6 x 1. Para o ministro, Alcolumbre "está brincando com fogo".
"Você vê que tem uma atuação dos setores empresariais, das grandes associações empresariais, de maneira descarada para atacar [o projeto]", acrescentou.
O ministro afirmou que não há justificativa para manter o projeto parado, já que a medida conta com mais de 70% de apoio popular. "Nós estamos falando de dar tempo de descanso para as pessoas. Estamos falando de tirar milhões de brasileiros da exaustão, de garantir que possam ter mais tempo com a sua família. Não foi por acaso que essa pauta ganhou força", disse.
Na avaliação de Boulos, setores empresariais promovem uma campanha de "terrorismo patronal" ao afirmar que o fim da jornada 6 x 1 provocaria aumento de preços e impactos negativos na economia.
Segundo ele, estudos apontam que a redução da jornada pode gerar efeitos positivos em setores como comércio, varejo e serviços, argumento que, de acordo com o ministro, contradiz as críticas feitas por representantes do empresariado.