El Niño: governo anuncia plano bilionário para preparar o SUS contra eventos climáticos extremos
O governo federal anunciou um plano de R$ 9,8 bilhões para reforçar a capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos impactos do fenômeno El Niño e das mudanças climáticas. Entre as ações, estão a criação de centros especializados, um sistema nacional de alerta para ondas de calor e a ampliação da Força Nacional do SUS.
A estratégia, apresentada nesta terça-feira (30) pelo Ministério da Saúde, reúne 27 metas e 93 ações previstas até 2035 com o objetivo de preparar o sistema público para enfrentar eventos climáticos extremos, reduzir riscos à população e ampliar a capacidade de atendimento em situações de emergência.
A principal novidade é a implantação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima, distribuídos pelas cinco regiões do país. A primeira unidade será inaugurada na Bahia e servirá como modelo para o monitoramento de riscos climáticos e a coordenação das respostas em saúde.
Outra medida é a criação do Painel Nacional de Excesso de Calor, ferramenta que permitirá emitir alertas com até cinco dias de antecedência sobre ondas de calor, auxiliando gestores públicos e equipes de saúde na prevenção de mortes e agravamento de doenças relacionadas às altas temperaturas.
O plano também prevê a expansão da Força Nacional do SUS para oito bases regionais, permitindo que equipes especializadas sejam mobilizadas em até 12 horas para atuar em desastres naturais.
Proteção de idosos contra temperaturas extremas
O Ministério da Saúde também prepara um protocolo específico, a fim de proteger idosos durante períodos de calor extremo, com recomendações como reforço da hidratação, redução da exposição ao sol nos horários de temperatura mais alta, manutenção de ambientes ventilados e acompanhamento do uso correto de medicamentos.
Durante o lançamento da iniciativa, o ministro Alexandre Padilha afirmou que os efeitos das mudanças climáticas já representam uma das principais ameaças à saúde pública no país.
Segundo ele, um levantamento recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que cerca de 120 mil mortes registradas nos últimos 20 anos estão diretamente associadas ao aumento da temperatura média em diferentes regiões brasileiras.
Para Padilha, embora as políticas de redução das emissões de carbono permaneçam fundamentais, a adaptação do sistema de saúde aos novos desafios impostos pela crise climática é uma medida urgente para reduzir impactos sobre a população.
Por Sputinik Brasil