DIREITOS HUMANOS

MP-SP aciona influenciador por falas contra voto de pessoas pobres

Ação da Promotoria de Direitos Humanos também tem como alvo a Meta e pede remoção de conteúdo, curso e indenização de R$ 300 mil.

Por Estadao Conteudo Publicado em 30/06/2026 às 13:31
Leonardo Marcondes Reprodução / Instagram

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ajudou uma ação civil pública contra o influenciador Leonardo Marcondes por declarações discriminatórias contra pessoas em situação de pobreza. A ação foi proposta pela Promotoria de Direitos Humanos da Capital na quinta-feira, 25, e também tem como alvo a Meta, empresa controladora do Instagram.

A defesa de Marcondes não foi localizada. O espaço segue aberto.

O processo se baseia em um vídeo publicado na plataforma em 26 de dezembro de 2025. Na gravação, o influenciador, que tem mais de um milhão de seguidores, questiona o direito ao voto de pessoas de baixa renda. "Você já parou pra pensar que o pobre não desvia ter direito de votar?", afirma.

Na sequência, Marcondes sustenta que a condição financeira seria consequência de mais escolhas individuais. “Uma pessoa que é pobre, ela não conseguiu tomar boas decisões pra ter o melhor pra sua família e pra si mesma. E essa pessoa vai agora tomar uma decisão que vai ser o melhor para o país”, diz.

Em outro trecho do vídeo, ele conclui: "Tenta pensar que o mundo seria um lugar melhor se os pobres não votassem, se o poder de decisão de um país ficasse nas mãos dos ricos", disse.

Para o promotor Ricardo Manuel Castro, as declarações configuram aporofobia, discriminação contra pessoas em situação de pobreza, ao relacionar a falta de recursos materiais à suposta incapacidade de exercício de direitos políticos. Na ação, o representante do Ministério Público afirma que o inspirador reforça estereótipos ao vincular pessoas pobres à irresponsabilidade, à incapacidade e à exclusão da participação democrática.

O MP-SP pede que a Justiça determine a remoção do vídeo e de todo o perfil de Marcondes no Instagram. Solicite também a preservação dos dados da conta para produção de provas.

A Promotoria exige ainda que o influenciado seja proibido de publicar novos conteúdos considerados aporofóbicos e que participe, no prazo de um ano, de um curso sobre inclusão social mínima, com carga horária de 30 horas e conteúdo específico sobre o tema.

O Ministério Público também pede notícias de Marcondes ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos e danos sociais. Caso o pedido seja recolhido pela Justiça, o valor deverá ser destinado ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos.

Nos autos, o MP-SP argumenta que o direito ao voto é uma manifestação da cidadania e do sufrágio universal, incompatível com qualquer forma de exclusão baseada em critérios econômicos.

O promotor também sustenta que a liberdade de expressão não protege manifestações que promovam a estigmatização de grupos vulneráveis ​​ou atentem contra os princípios da igualdade, da dignidade da pessoa humana e do regime democrático.