MERCOSUL

Lula diz que Mercosul inicia tratativas com Japão e mira diálogo com China

Presidente afirmou, em Assunção, que o bloco deve ampliar sua presença internacional e fortalecer a integração sul-americana.

Por Sputnik Brasil Publicado em 30/06/2026 às 12:44
Legenda não informada no material original. © Palácio do Planalto / Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (30), na abertura da 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Assunção, que o bloco dará início a tratativas com o Japão e pretende avançar em diálogo semelhante com a China.

O encontro marca os 35 anos do Mercosul e ocorre em um cenário de mudanças na economia mundial e avanço do protecionismo. Segundo Lula, a ampliação da agenda comercial do grupo é uma resposta ao aumento do unilateralismo e à fragmentação econômica, que, de acordo com ele, ameaçam comércio, investimentos e desenvolvimento sustentável.

"Nesta cúpula daremos um passo além iniciando as tratativas com o Japão, e logo estaremos trabalhando para fazer o mesmo com a China", afirmou Lula.

O presidente defendeu que o Mercosul fortaleça sua atuação internacional e aprofunde a integração entre os países da América do Sul.

"O Mercosul permanece como principal espaço institucional em uma região cada vez mais polarizada. O projeto de integração sul-americana deve estar acima de qualquer divergência ideológica", afirmou.

Lula também citou a necessidade de ampliar a integração em outras áreas, como a financeira. Ele mencionou o Pix como uma "referência internacional" e disse que sua arquitetura pode servir de base para uma infraestrutura de pagamentos em benefício dos cidadãos do Mercosul.

Durante o discurso, o presidente destacou o crescimento do comércio interno do bloco, que passou de US$ 4,5 bilhões, cerca de R$ 25,2 bilhões, em 1991 para US$ 50 bilhões, mais de R$ 280 bilhões, em 2025. Ele também citou aumento de mais de 100% no intercâmbio com o mundo em relação a 2024, chegando a US$ 770 bilhões, aproximadamente R$ 4,3 trilhões.

Além disso, Lula defendeu o desenvolvimento das "cadeias de valor agregado", classificando o tema como "uma questão de segurança nacional e soberania". O presidente acrescentou que "o mapa do caminho de minerais críticos proposto pelo Paraguai pode ser um ponto de partida para reforçar a autonomia dos nossos países".

Ao final, Lula ressaltou a importância da hidrovia Paraguai-Paraná, que movimenta quase 100 mil toneladas por ano, como eixo central da logística do Mercosul. Para ele, o bloco tem papel de proteção econômica e de expansão comercial regional em um ambiente internacional mais competitivo.

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