CONTAS PÚBLICAS

Setor público tem déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio

Banco Central informou que o saldo negativo acumulado em 12 meses chegou a R$ 149 bilhões, o equivalente a 1,14% do PIB

Por Agência Brasil Publicado em 30/06/2026 às 12:25
Banco Central divulgou dados fiscais do setor público referentes a maio

O setor público consolidado — formado por União, estados, municípios e empresas estatais — registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio de 2026. O resultado ficou acima do verificado no mesmo mês do ano passado, quando o saldo negativo foi de R$ 33,7 bilhões.

Os dados constam no relatório Estatísticas Fiscais, divulgado nesta terça-feira (30) pelo Banco Central.

No acumulado de 12 meses encerrado em maio, o déficit primário somou R$ 149 bilhões, o equivalente a 1,14% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado ficou 0,16 ponto percentual acima do acumulado até abril.

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O Governo Central, composto por Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, teve déficit de R$ 55,2 bilhões. Os governos regionais registraram saldo negativo de R$ 1,2 bilhão. Já as empresas estatais apresentaram superávit de R$ 0,3 bilhão.

Aumento de gastos

Os gastos do setor público consolidado com juros nominais totalizaram R$ 107,5 bilhões em maio, ante R$ 92,1 bilhões registrados em maio de 2025.

“Contribuiu para essa evolução o aumento no estoque do endividamento líquido no período. No acumulado em 12 meses até maio, os juros nominais alcançaram R$ 1.111 bilhões (8,48% do PIB), comparativamente a R$ 946,1 bilhões (7,74% do PIB) nos 12 meses até maio de 2025”, informou o Banco Central.

Com esse resultado, o déficit nominal do setor público consolidado, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, chegou a R$ 163,7 bilhões em maio. Em 12 meses, o déficit nominal acumulado atingiu R$ 1.260 bilhões, ou 9,62% do PIB, permanecendo estável como percentual do PIB em relação ao mês anterior.

Dívida pública

A Dívida Líquida do Setor Público chegou a R$ 8,9 trilhões em maio, o equivalente a 67,9% do PIB. O indicador subiu 0,7 ponto percentual do PIB no mês.

“Esse resultado refletiu, sobretudo, os impactos dos juros nominais apropriados (0,8 p.p.), do déficit primário (0,4 p.p.), da desvalorização cambial de 1,4% no mês (-0,1 p.p.) e do efeito da variação do PIB nominal (-0,4 p.p.)”, justificou o relatório.

No ano, a dívida líquida do setor público aumentou 2,7 pontos percentuais do PIB. O resultado refletiu, principalmente, os impactos dos juros nominais (3,5 p.p.), da desvalorização cambial acumulada de 8,1% (0,9 p.p.), do déficit primário acumulado (0,2 p.p.) e do crescimento do PIB nominal (-1,8 p.p.).

Em maio, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) ficou em R$ 10,6 trilhões, ou 81,1% do PIB. O resultado representa alta de 0,9 ponto percentual do PIB em relação ao mês anterior.

De acordo com o Banco Central, o aumento ocorreu principalmente em razão dos juros nominais apropriados (0,9 p.p.), das emissões líquidas de dívida (0,4 p.p.), do efeito da desvalorização cambial (0,1 p.p.) e da variação do PIB nominal (-0,5 p.p.).