DEFESA

Reino Unido aposta em drones em novo plano militar e enfrenta disputa por recursos

Pacote anunciado por Keir Starmer prevê 15 bilhões de libras, mas não fixa gastos de 3% do PIB até 2030

Por Estadao Conteudo Publicado em 30/06/2026 às 10:47
Reino Unido

Caças autônomas, submarinos não tripulados e drones deverão ganhar papel central na estratégia militar do Reino Unido nos próximos anos. O direcionamento faz parte de um plano de defesa anunciado nesta terça-feira, 30, em meio às mudanças provocadas pelo avanço tecnológico nos conflitos.

Chamado de Plano de Investimento em Defesa, o pacote foi adiado várias vezes durante negociações entre chefes militares e o Tesouro sobre os custos de preparação das Forças Armadas para um cenário de segurança mais deteriorado. Assim como outros países da Otan, o Reino Unido sofre pressão para ampliar os gastos militares diante de uma Rússia mais agressiva e de uma percepção de menor previsibilidade dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que a iniciativa manterá o país seguro em “um mundo mais perigoso e volátil do que em qualquer momento das últimas décadas”.

Apesar disso, o plano não traz o compromisso de aumentar as despesas para 3% do PIB até 2030. Esse foi um dos pontos que, segundo relatos, foram desenvolvidos para a renúncia de John Healey ao cargo de ministro de Defesa, em 11 de junho.

Ao deixar o governo, Healey acusou o Executivo de subinvestir nas Forças Armadas em um momento de “ameaças crescentes”. Ele citou uma avaliação da inteligência britânica segundo a qual a Rússia poderia atacar um membro da Otan até 2030. Healey afirmou ainda que a proposta do Tesouro elevaria os gastos para apenas 2,68% do PIB em 2030, depois de atingir 2,6% no próximo ano.

Starmer disse que Dan Jarvis, sucessor de Healey no Ministério da Defesa, trabalhou para “aprimorar e fortalecer” o plano. A versão atual prevê 15 bilhões de libras, acima dos 13,5 bilhões de libras da proposta anterior, mas abaixo dos 28 bilhões de libras defendidos pelas autoridades da área.

Segundo Starmer, a meta de 3% será alcançada “no próximo Parlamento”, período que pode se estender até 2034.

O primeiro-ministro também afirmou que o plano garantirá “capacidades de ponta” às Forças Armadas para dissuadir ameaças emergentes e proteger a população. A íntegra do documento deve ser publicada ainda nesta terça-feira.

O plano funciona como roteiro para que o Reino Unido avance em direção à meta da Otan de 3,5% do PIB em gastos militares até 2035. As Forças Armadas buscam reverter anos de perda de capacidade diante de uma Rússia mais assertiva, que invadiu a Ucrânia em 2022 e tem intensificado testes às defesas europeias com ações abertas e descobertas.

O governo britânico usa como referência o impacto dos drones na guerra da Ucrânia, onde o país utiliza cerca de 200 mil aparelhos por mês para conter as forças russas. A intenção é investir bilhões em sistemas de drones em todos os ramos militares. No lugar de uma frota projetada de novos atiradores, a Marinha Real deverá receber embarcações híbridas que funcionarão como centros de comando para drones.

“A própria natureza do conflito está mudando diante dos nossos olhos”, disse Starmer em discurso num fabricante de drones próximo a Londres. Ele afirmou que, com tecnologia avançada, as forças ucranianas destruíram a frota russa do Mar Negro, “atacaram profundamente o território russo e impediram o avanço de um dos maiores exércitos do mundo”.

O Reino Unido e outros países da Otan também têm sido pressionados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para aumentar os gastos com defesa. Trump questiona com frequência a utilidade da aliança e afirma que Washington garante a segurança de países europeus que contribuiriam menos do que deveriam.

As renúncias de Healey e do ministro júnior da Defesa Al Carns fizeram parte de uma sequência de desgastes políticos que levaram Starmer a anunciar, na semana passada, que deixaria a carga. Ele deverá participar de uma cúpula de Otan na Turquia em 7 e 8 de julho, em um de seus últimos compromissos como primeiro-ministro.

O provável sucessor, o ex-prefeito do Grande Manchester Andy Burnham, deverá enfrentar pressão para manter os compromissos do plano.

Na oposição, o porta-voz da Defesa do Partido Conservador, James Cartlidge, classificou a proposta como “insuficiente e tardia”. “O plano está quase um ano atrasado e só está sendo acelerado agora porque Keir Starmer está desesperado por um legado”, afirmou. Fonte: Dow Jones Newswires.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.