ESTABILIDADE FINANCEIRA

BoE vê risco de IA aumentar oscilações em crises de mercado

Sarah Breeden afirmou no Fórum de Sintra que agentes autônomos podem ampliar volatilidade e elevar ameaças cibernéticas

Por Estadao Conteudo Publicado em 30/06/2026 às 09:02
Banco da Inglaterra Reprodução

A vice-presidente do Banco da Inglaterra (BoE) para Estabilidade Financeira, Sarah Breeden, alertou nesta terça-feira, 30, que agentes de inteligência artificial (IA) podem ampliar a volatilidade em períodos de estresse nos mercados financeiros. Segundo ela, o avanço das capacidades cibernéticas desses sistemas também representa um risco crescente à estabilidade financeira.

Em discurso no Fórum de Sintra, promovido pelo Banco Central Europeu (BCE), Breeden afirmou que a sua “principal preocupação” para a estabilidade financeira é uma “mudança de patamar” nas capacidades de ciberataques da chamada IA ​​agentiva.

De acordo com o dirigente, as companhias financeiras ainda utilizam sistemas autônomos principalmente em atividades de menor risco, como pesquisas. No entanto, ela anuncia que esse cenário pode se alterar rapidamente.

Breeden disse que, se diferentes agentes de IA respondem de forma semelhante aos mesmos estímulos, “eles poderão amplificar a volatilidade em momentos de estresse” , sobretudo caso seus objetivos se afastem das metas originais ou das políticas públicas.

Um representante do BoE afirmou que os bancos centrais precisam avaliar não apenas se as instituições financeiras utilizam esses modelos de maneira adequada, mas também se o sistema financeiro tem capacidade de observar e conter os comportamentos gerados por eles.

Nesse contexto, Breeden defendeu estudos sobre mecanismos de mitigação, incluindo salvaguardas semelhantes aos disjuntores dos mercados, que interromperam negociações em caso de colapso provocado por modelos defeituosos.

Na área de segurança cibernética, o dirigente afirmou que o avanço da IA ​​pode fortalecer as defesas quando utilizado por agentes legítimos, mas também amplia de forma significativa o potencial de ataques quando a tecnologia é usada por pessoas mal-intencionadas.

Breeden também disse que a inteligência artificial deve transformar pagamentos, comércio eletrônico e a própria atuação dos bancos centrais. Para isso, esse cenário exigirá novos marcos regulatórios, aprimoramento das habilidades das autoridades e maior cooperação internacional, a fim de evitar que os avanços tecnológicos se transformem em ameaças à estabilidade financeira.