Grande Anel de galáxias intriga astrônomos e coloca modelo cosmológico em discussão
Estrutura identificada em 2024 teria 1,3 bilhão de anos-luz de diâmetro e aparece na mesma região do Arco Gigante
Uma estrutura colossal observada no espaço profundo está levantando questionamentos sobre pontos centrais da cosmologia moderna. Em 2024, astrônomos identificaram um anel quase perfeito de galáxias com cerca de 1,3 bilhão de anos-luz de diâmetro, dimensão que supera limites teóricos aceitos para estruturas cósmicas.
O achado, chamado de Grande Anel, foi apresentado pela astrônoma Alexia Lopez e sua equipe a partir da análise de luz emitida há 6,9 bilhões de anos.
A formação não se encaixa em mecanismos conhecidos de criação de estruturas no Universo. Ela aparece na mesma região do céu onde Lopez já havia identificado, em 2021, o Arco Gigante, outra estrutura de grande escala que chamou a atenção de especialistas.
A proximidade e as dimensões das duas formações ampliam o debate sobre possíveis lacunas no modelo padrão da cosmologia.
Uma hipótese inicial relacionou o Grande Anel às Oscilações Acústicas Bariônicas, conhecidas pela sigla BAO, padrões circulares gigantes formados por ondas acústicas do Universo primordial.
No entanto, análises detalhadas indicam que a estrutura não corresponde a uma BAO. O motivo é que seu tamanho é maior que o padrão conhecido, além de sua forma se assemelhar mais a uma espiral alinhada de maneira a parecer um anel.
A existência do Grande Anel e do Arco Gigante desafia o Princípio Cosmológico, segundo o qual o Universo, em grande escala, deve ser homogêneo e isotrópico.
O limite teórico citado para o tamanho de estruturas é de 1,2 bilhão de anos-luz, valor já ultrapassado pelo Grande Anel. O Arco Gigante, por sua vez, seria quase três vezes maior.
Se forem confirmadas como estruturas reais, e não como coincidências estatísticas, essas formações podem exigir revisões no modelo cosmológico vigente.
Entre as alternativas já propostas estão a cosmologia cíclica conforme de Roger Penrose, que prevê estruturas em anel, embora também enfrente críticas, e a possibilidade de cordas cósmicas, defeitos topológicos no tecido do espaço-tempo formados no início do Universo.
Apesar do potencial teórico, as cordas cósmicas ainda não contam com evidências observacionais robustas.
A equipe de Lopez reconhece que ainda não há explicação definitiva para o Grande Anel ou para o Arco Gigante. A possibilidade de que sejam apenas arranjos aleatórios de galáxias existe, mas é considerada extremamente improvável devido à escala e à simetria das estruturas.
Por Sputinik Brasil