COMÉRCIO EXTERIOR

China inclui entidades japonesas em novas listas de controle de exportações

Editorial do Global Times afirma que medidas miram setores ligados à pesquisa, tecnologia e defesa no Japão

Por Sputnik Brasil Publicado em 30/06/2026 às 06:32
Legenda não informada no material original. © AP Photo / Eugene Hoshiko

A China ampliou o alcance das restrições de exportação contra entidades japonesas, segundo editorial do Global Times publicado nesta terça-feira (30). A medida é apresentada por Pequim como resposta ao que classifica como avanço do 'neomilitarismo' japonês.

O Ministério do Comércio da China incluiu 20 entidades japonesas na lista de controle de exportações e outras 20 na lista de vigilância. Entre os alvos citados estão institutos estratégicos, como o Instituto Nacional de Estudos de Defesa, e empresas como a MITSUI E&S.

De acordo com o editorial, a nova rodada de medidas busca impor custos econômicos e estratégicos a ações consideradas provocativas por Pequim. A iniciativa amplia o foco da primeira etapa, que estava concentrada no setor manufatureiro.

Desta vez, as restrições atingem áreas ligadas ao núcleo intelectual e tecnológico do complexo militar japonês. Ao mirar pesquisa, desenvolvimento e inovação, a China afirma buscar conter a modernização de armamentos ofensivos desde a origem.

O texto sustenta que, a depender das ações de Tóquio, novas entidades vinculadas às forças armadas poderão ser incluídas nas listas, formando um mecanismo de controle contínuo e de longo prazo.

Relatos da imprensa japonesa citados no material apontam que exportações chinesas de materiais essenciais, como disprósio e térbio, foram zeradas. O fornecimento de produtos relacionados ao tungstênio também teria sido interrompido.

Instituições japonesas estimam que uma interrupção de um ano nas importações de terras raras poderia reduzir o produto interno bruto (PIB) real em 1,3%, o equivalente a cerca de 7 trilhões de ienes, aproximadamente R$ 252 bilhões.

Para o editorial, esses dados mostram a dependência estrutural do Japão das cadeias de suprimentos chinesas. O texto afirma que essa dependência, ao ser reinterpretada por Tóquio como 'ameaça', não pode continuar sendo sustentada pela China.

A publicação afirma que as duas rodadas de controle têm como objetivo conter a chamada 'remilitarização' japonesa e suas ambições nucleares. Segundo o editorial, desde fevereiro, quando Pequim divulgou a primeira lista, o governo de Sanae Takaichi teria reagido intensificando o impulso militar, enviando armas ofensivas ao exterior e lançando mísseis além de suas fronteiras.

O material também afirma que o Japão estaria tentando construir uma narrativa internacional de 'coerção chinesa', em busca de apoio ocidental, além de promover cadeias de suprimentos alternativas que excluam a China.

O editorial recorda que o militarismo japonês histórico subordinou a sociedade à lógica da guerra e causou devastação na Ásia. Segundo o texto, a questão central não seria o retorno de símbolos, como a bandeira do Sol Nascente, mas a mobilização estatal para fins militares.

O 'neomilitarismo' atual, afirma o editorial, reformula a lógica pré-guerra em linguagem moderada. Em vez de 'expansão militar e preparativos para a guerra', fala-se em 'fortalecimento das capacidades de autodefesa'; em vez de 'projeção de poder militar no estrangeiro', destaca-se a 'aliança Japão-EUA'; e, em vez de 'expansão externa', cita-se a necessidade de 'enfrentar ameaças comuns'.

Para o texto, esse caráter gradual e institucionalizado torna o fenômeno mais perigoso, já que o fortalecimento militar japonês seria atualmente mais abrangente, mais discreto e mais destrutivo do que no passado.

As medidas chinesas são apresentadas pelo editorial como legais, específicas e proporcionais. Ao combinar listas de controle e vigilância, Pequim afirma incentivar empresas japonesas a se afastarem de atividades relacionadas ao militarismo, preservando relações comerciais legítimas.

O texto diz ainda que as restrições atingem apenas itens de dupla utilização e um número limitado de entidades, sem afetar o comércio normal entre os dois países. Segundo o editorial, quanto mais o 'neomilitarismo' for contido, mais protegidas estarão as trocas econômicas e interpessoais.

A publicação conclui que a estabilidade da Ásia-Pacífico, construída ao longo de décadas, não deveria ser colocada em risco por gestos aventureiros. Caso o Japão reconsidere sua postura, haveria espaço para melhorar as relações bilaterais, afirmou o Global Times.

Por Sputinik Brasil