Governo boliviano buscará empréstimo do FMI para reforçar economia
Ministro José Gabriel Espinoza citou desvalorização do boliviano e impactos de conflitos sociais no país
O governo da Bolívia recorrerá a um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) para fortalecer a economia do país, informou nesta segunda-feira (29) o ministro da Economia, José Gabriel Espinoza.
A decisão ocorre após a desvalorização do boliviano e em meio aos efeitos de 54 dias de conflitos sociais que prejudicaram a atividade econômica.
"Quando chegamos ao governo, precisávamos de um plano de reativação da economia. Depois desses 53 dias de tentativa de golpe de Estado e de ataques à economia das famílias, ficou claro que precisamos de ainda mais recursos. Qualquer fonte de financiamento será bem-vinda, entre elas a do FMI", declarou o ministro.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa boliviana, ainda sem confirmação oficial, o governo negocia um empréstimo de US$ 5 bilhões, o equivalente a R$ 25,9 bilhões, junto ao organismo internacional.
Desde que assumiu a presidência, em 8 de novembro de 2025, Rodrigo Paz já contratou cerca de US$ 8 bilhões, o equivalente a R$ 41,5 bilhões, em financiamentos externos. Desse total, US$ 3,1 bilhões, cerca de R$ 16 bilhões, foram obtidos junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF), e US$ 4,5 bilhões, aproximadamente R$ 23,3 bilhões, com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O anúncio foi feito no mesmo dia em que entrou em vigor o novo regime cambial flexível da Bolívia. A medida fixou a cotação em 9,73 bolivianos por dólar e encerrou mais de 15 anos de câmbio fixo em 6,96 bolivianos por dólar.
Espinoza negou, no entanto, que a mudança cambial seja uma exigência do FMI.
"Nada do que fazemos é imposição ou sugestão de organismos estrangeiros. É o que precisa ser feito para dar certeza à economia", afirmou.
Desde o início do mandato, o governo de Rodrigo Paz adotou uma série de mudanças econômicas. Entre elas estão a eliminação dos subsídios aos combustíveis, o aumento de 20% do salário mínimo, a autorização para que bancos realizem a devolução parcial de depósitos em dólares e a desvalorização da moeda nacional.
Por Sputnik Brasil