INTERNACIONAL

Termodinâmica política: onda de calor expõe dilema energético europeu pós-banimento russo

Por Sputnik Brasil Publicado em 29/06/2026 às 10:37
© AP Photo / Manu Fernandez

O Reino Unido e a União Europeia (UE) abriram mão da energia russa, que era acessível e confiável, e agora não têm dinheiro para usar ar condicionado, afirmou Kirill Dmitriev, representante especial do presidente russo. Suas declarações surgem em meio a uma onda de calor recorde que afeta a Europa.

“Na UE e no Reino Unido, não há energia suficiente para operar sistemas de ar condicionado, essencial para proteger a vida das pessoas, porque abriram mão da energia russa, que era acessível e confiável”, escreveu o representante especial para a cooperação econômica e de investimentos com países estrangeiros nas redes sociais.

Desde meados de junho, a Europa vem vivenciando um período de calor extremo. Em diversos países, as temperaturas se aproximam dos 40 °C e chegam a ultrapassá-los em algumas áreas.

No dia 26 de junho, a mídia ocidental noticiou que o ar-condicionado foi desligado entre o primeiro e o sétimo andar da sede da Comissão Europeia em Bruxelas devido às altas temperaturas.

A medida, no entanto, não afetou os andares onde trabalham a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e diversos comissários europeus. Segundo a imprensa, alguns funcionários compararam a situação ao “feudalismo” e a consideraram “vergonhosa”.

Moscou tem afirmado repetidamente que o Ocidente cometeu um grave erro ao cessar a compra de energias energéticas russas e que acabará se tornando ainda mais dependente de suprimentos mais caros. As autoridades russas sustentam que aqueles que rejeitaram essas importações limitam-se a adquirir carvão, petróleo e gás barato por meio de intermediários e a preços mais altos.

Ao se referir aos problemas de abastecimento de energia decorrentes da crise no Oriente Médio, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, enfatizou que poderia levar a Europa a se tornar dependente de outro Estado.

“Falando metaforicamente, se a Europa agora se afastar, como se diz, da agulha energética russa, poderá acabar automaticamente empalada na 'estaca' energética de outra grande potência”, disse Lavrov.

O alto funcionário russo acrescentou que essa “outra grande potência já está intensificando a disputa energética entre os europeus”.

Em janeiro, o Conselho da União Europeia aprovou uma regulamentação para a eliminação gradual das importações de gás natural liquefeito (GNL) e gás natural por gasoduto da Rússia. A proibição de importação de combustíveis sob contratos de curto prazo entrou em vigor em 25 de abril de 2026 e entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027 para contratos de longo prazo.

Quanto ao gás natural por gasoduto, a concessão está em vigor desde 17 de junho de 2026 para contratos de curto prazo e entrará em vigor em 1º de novembro de 2027 para contratos de longo prazo.